Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 26/10/2021
A famosa campanha “Agro é tech. Agro é pop. Agro é tudo.”, exibida pela Globo, tem o intuito de construir uma imagem positiva e promissora do agronegócio no Brasil, a fim de convencer a população que o latifúndio desenvolve o país e, assim, conseguir seu apoio para garantir a expansão da área. Contudo, a discussão acerca do seu crescimento no país traz diversos entraves para sua efetuação. Isso ocorre, sobretudo, devido ao enorme impacto ambiental que essa atividade gera, tal como ao número significante de trabalhadores submetidos à péssimas condições. Dessa forma, é inegável que medidas precisam ser tomadas, com o intuito de amenizar a problemática.
Vale destacar, a priori, que para que o agronegócio possa ser realizado de maneira lucrativa e produtiva, é necessária a disponibilidade de áreas significativas. Nesse sentido, os produtores, para a obtenção de uma superfície atuante maior, praticam o desmatamento e se apropriam de reservas de proteção à fauna e flora do país. A título de ilustração, nessa lógica, pode-se citar o filme “Lorax”, em que o protagonista, hipnotizado pela resposta econômica, busca desmatar cada vez mais e mais o único espaço natural ainda existente na trama. Além disso, a pecuária consome cerca de 17 mil litros de água para a produção de 1 quilograma de carne bovina, segundo dados da Sabesp, emite uma alta taxa de gases poluentes, gerados pelo gado, e promove a infertilidade do solo, em razão do pisoteamento. Sendo assim, é indubitável que o latifúndio agride o meio ambiente.
Ademais, cabe ressaltar que essa atividade proporciona diversos fatores maléficos à saúde de seus trabalhadores, além de, em muitos casos, não compensá-los devidamente como, por exemplo, com o atraso de pagamentos ou até mesmo o seu não pagamento. Sob esse viés, é válido salientar as informações fornecidas pelo Ministério do Trabalho, onde, dos 52 mil indivíduos resgatados de algum trabalho análogo à escravidão, 22% dos trabalhadores serviam ao setor sucroalcooleiro. Paralelamente, o uso de agrotóxicos atinge diretamente a saúde dos lavradores, uma vez que contém produtos químicos altamente tóxicos, o que leva ao adoecimento desses. Com isso, é possível afirmar que a mão de obra é desvalorizada e maltratada pelo agronegócio.
Infere-se, portanto, que ações devem ser executadas para que uma melhora seja visível. Logo, o IBAMA - responsável pela criação e fiscalização de políticas ambientais - deve, em parceria com o Ministério do Trabalho, minimizar a incidência de atitudes prejudiciais ao meio ambiente e aos trabalhadores, por meio de um aumento na rigorosidade das fiscalizações ambientais e nos meios laborais. Tais intervenções devem ser realizadas com o intuito de mitigar os efeitos negativos do agronegócio no ecossistema brasileiro e garantir melhores condições aos empregados nesse ramo.