Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 26/10/2021
O filósofo Nicolau Maquiavel, em sua obra “O Príncipe”, faz uma análise acerca do exercício do poder, atribuindo a qualidade de liderança do governador à felicidade de seus governados, sendo dever desde a garantia do bem-estar social. Analogamente, na sociedade atual, o corpo social não é tido como prioritário, sendo observadas diversas situações em que a população enfrenta impasses, dentre eles a exploração ambiental desenfreada. Sob esse viés, nota-se que uma das principais causas desse óbice é a ineficácia de ações governamentais que, associada ao descaso populacional, fomenta diretamente a situação.
Convém ressaltar, a princípio, que a inocuidade de medidas governamentais relacionadas ao controle dessa esfera corrobora para o agravamento do cenário. À vista disso, uma pesquisa realizada pela Embrapa revelou que, só na Amazônia, 17 milhões de hectares foram cortados, desmatados e abandonados, em detrimento da expansão do agronegócio e flexibilização da legislação ambiental, ocasionando um enorme desequilíbrio ecológico. Desse modo, a expansão da agroindústria tem direta influencia sobre diversas irregularidades ambientais e é fortificada pela liberdade fornecida pelo Governo.
Outrossim, o modo o qual a sociedade lida com o problema afeta, diretamente, a permanência deste. Dessa forma, consoante ao cofundador e diretor da fundação Greenpeace, Paul Watson, a inteligência é a habilidade das espécies para viver em harmonia com o meio ambiente, isto é, viver harmoniosamente com a natureza mostra o ser inteligente pois esta é de extrema importância para a manutenção da vida. Sendo assim, ao não respeitar o meio ambiente, o ser humano compromete esse equilíbrio, assim como seu próprio bem-estar, fortificando o impasse.
Diante do exposto, com o fito de mitigar a problemática, impende ao Governo Federal, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente, o desenvolvimento de projetos que diminuam a degradação ambiental gerada por esse mercado, por meio da devida fiscalização das práticas vigentes e monitoramento da maneira de trabalho latifundiária, assegurando o cumprimento das diretrizes preestabelecidas, além de políticas que viabilizem uma abordagem sustentável, a fim de que seja minimizado o impacto na natureza. Assim, a sociedade poderá atenuar o imbróglio e assegurar, efetivamente, o bem-estar do corpo social, como defendido por Maquiavel.