Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil

Enviada em 15/11/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso valorizar as polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação de empresários brasileiros.

Mormente, deve-se salientar a ausência de medidas governamentais efetivas para minimizar os impactos ambientais gerados pela expansão desordenada do agronegócio. Nessa conjuntura, a Constituição Federal de 1988, prevê, em seu artigo 225, que o Estado deve proteger a fauna e a flora. Sob esse viés, na medida em que animais, florestas e todo um ecossistema encontram-se sofrendo pela ação do homem que prioriza o lucro e não sofre penalidade pelo uso indevido do meio ambiente, observa-se, nesse ponto, a falha da função do poder público, o que é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar que uma parcela da população se mostra alienada. De acordo com o musicólogo Vladimir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, os grandes empresários do agronegócio não enxergam que suas atividades necessitam ser sustentáveis para que haja um equilíbrio entre produção e conservação dos recursos naturais. Essa situação ocorre, porque eles assumem uma postura individualista e não se movimentam em prol de mudar essa condição. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente promover uma série de palestras, ministradas por especialistas no assunto, que tenham como público-alvo empresários do ramo do agronegócio. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “Live”, para trazer mais clareza sobre a importância de um trabalho sustentável, as leis de proteção a fauna e a flora e as penalidades para quem as descumprem, com a finalidade de atingir um público maior. Assim, torna-se possível a construção permeada pela incorporação dos elementos elencados na Magna Carta.