Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 16/11/2021
A Revolução Verde que foi implementada nos países latino-americanos, incluindo o Brasil, nos anos 60 e 70, e tinha como objetivo suprimir a fome e reduzir a pobreza de amplas parcelas da população. Essa transformação tratou-se de um conjunto de inovações tecnológicas no setor primário da economia (agricultura e pecuária), tais como modernização do maquinário, desenvolvimento de agrotóxicos e sementes geneticamente modificadas. Meio século depois, apesar da expansão do agronegócio trazer benefícios para a economia, seus efeitos colaterais, como impactos no meio ambiente e agravamento da desigualdade social, são objetos das polêmicas acerca do tema. Dessa forma, convém analisar e discutir a negligência governamental e a a má influência midiática como causas dessa problemática.
Diante desse cenário, deve-se ressaltar o descaso governamental como um dos impulsionadores dos efeitos negativos no meio ambiente da expansão do agronegócio. Nessa perspectiva, Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã” defende a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso no corpo social. Entretanto, as autoridades competentes rompem com essa conformidade, pois não investem na fiscalização dos territórios alvos dessa expansão. Devido à essa omissão, conforme noticiado pelo projeto MapBiomas, cerca de 98% do desmatamento no Cerrado nos últimos 35 anos foi causado pela agropecuária. Logo, é inaceitável que a situação perdure na corporação brasileira, caso contrário, trará mais consequências para o meio ambiente.
Além disso, a mídia contribui negativamente para o agravamento dessa situação. Segundo a pensadora e filósofa brasileira Djamila Ribeiro, é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Nessa sentido, percebe-se que parte expressiva da mídia se silencia acerca dos problemas causados pela expansão do agronegócio, como visto na campanha da rede Globo : “Agro é tech, Agro é pop, Agro é tudo”. Assim, sem um diálogo sério e massivo sua solução é impedida.
Torna-se evidente, portanto, que o problema é grave e não pode ser ignorado. Para mudar esse quadro, além de outras medidas, o Estado deve aumentar a fiscalização dos biomas brasileiros, por meio da contratação e capacitação de profissionais especializados em meio ambiente para compor o IBAMA e o Ministério do Meio Ambiente. Isso pode ocorrer com a análise e monitoramento via satélite dessa região. Outrossim, o mídia deve promover campanhas sobre os impactos nas florestas do agronegócio. Somente assim, os efeitos negativos da expansão do agronegócio podem ser extintos.