Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 07/11/2022
A obra “Usina”, do autor modernista José Lins do Rego, retrata o impacto da industrialização, que, com o avanço das usinas hidrelétricas, provocou a decadência dos latifundiários nordestinos. Diferentemente da ficção, no Brasil atual, a modernização fortalece o agronegócio, o qual gera polêmicas quanto a práticas sustentáveis e humanitárias.
Primordialmente, destaca-se a importância dos avanços da tecnologia para a expansão do agronegócio. Nesse sentido, a Revolução Verde, em 1960, promoveu o aumento da produção de alimentos, bem como a implantação de técnicas agrícolas modernas. Entretanto, apesar dos aspectos positivos, no Brasil, esse desenvolvimento tecnológico transformou a agropecuária em um fenômeno capitalista que se concentrou nas mãos dos grandes proprietários. Dessa forma, tendo em vista o caráter agroexportador do país, os lucros desses empresários foram priorizados em detrimento do meio ambiente e da saúde da população.
Consequentemente, é notório o descuido quanto à preservação do meio ambiente e do bem-estar dos cidadãos. Acerca disso, é válido salientar a expansão da soja para as regiões Centro-Oeste e Norte, que, despreocupada com os biomas do Cerrado e da Amazônia, destrói esses ecossistemas para ampliar suas áreas de cultivo. Ademais, ferramentas trazidas pela Revolução Verde e utilizadas pelos grandes produtores para maximizar sua produção, como os agrotóxicos, também trazem males à saúde da população. Nesse contexto, em fevereiro de 2022, foi aprovado o Projeto de Lei chamado de “Pacote do Veneno”, que prevê a flexibilização do uso de agrotóxicos cancerígenos, inclusive desaprovados pela Anvisa. Assim, evidencia-se a rivalidade entre esse sistema e práticas humanitárias.
Torna-se necessário, portanto, combater o caráter predatório do agronegócio. Logo, o Ministério do Meio Ambiente, como órgão protetor dos ecossistemas brasileiros, por meio de fiscalizações mais eficientes, deve aplicar punições mais severas às empresas que violarem a segurança dos biomas, para que sejam preservados. Além disso, o Legislativo, com o apoio do Ministério da Saúde, deve fortalecer as leis que limitam o uso excessivo de agrotóxicos para, desse modo, atenuar os riscos trazidos aos brasileiros.