Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 22/08/2023
No último capítulo da novela “Pantanal”, exibida na década de 90 na extinta Rede Manchete, o personagem “Velho do Rio” discorre: “O homem é o único animal que mata pra não comer, corta a arvóre que lhe dá sombra e frutos, por isso, condena-se à morte”. Ao sair da ficção e fazer uma análise do cenário real, percebe-se que, a expansão do agronegócio no Brasil, caracteriza-se por favorecer que os eventos relatados pelo “Velho do Rio” aconteçam. Com base nesse viés, é válido analisar os entraves dessa ação, além da razão para que ela ocorra.
Primeiramente, vê-se que o descaso com o meio ambiente causado pelo avanço do agronegocio pode acarretar consequências devastadoras para o Brasil. Essa questão acontece devido ao efeito prejudicial aos “serviços de ecossistemas”, em outras palavras, ações gratuitas fornecidas pela natureza que são fundamentais para o homem, como, por exemplo, proteção frente a enchentes promovida por árvores. Esses conceitos são estudados pelo ecólogo Enric Bernard.
Ademais, é importante pontuar o quanto a expansão desenfreada do agronegócio brasileiro é fundamentada em interesses políticos. Isso acontece porque, muitas vezes, o núcleo da política é contaminado pelo patrionalismo, ou seja, a cultura de gerir o Estado como um patrimônio privado. Essa teoria foi estudada no século XIX pelo sociólogo Max Weber e hoje é estudada pela historiadora Lilia Schwarcz. Nesse sentido, percebe-se, que o crescimento acentuado do agronegócio ocorre em razão dos responsáveis não se preocuparem (ou se importarem) com o país em si, mas apenas com seu próprio “bolso”. Assim, é até verdade que o Brasil seja, segundo a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Agropecuária), um dos líderes mundiais em produção alimentar, entretanto, 33 milhões de pessoas passam fome no país, de acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Aplicada).
Portanto, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério do Meio Ambiente, comandado pela ambientalista Marina Silva, enrijecer a legislação ambiental a fim de proteger os serviços de ecossistemas. Isso pode ser realizado por meio de aprovação na Câmara dos Deputados e Senado. Desse modo, o meio ambiente estaria preservado frente o crescimento do agronegócio.