Polêmicas acerca da expansão do agronegócio no Brasil
Enviada em 30/03/2024
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor Thomas More - retrata uma civlização idealizada, na qual a engrenagem social é desprovida de conflitos. No entanto, tal obra fictícia se mostra distante da realidade contemporânea no tocante aos impactos negativos da expansão do agronegócio no Brasil, que coloca em questão o bem-estar social. Nesse sentido, há de se desconstruir não só a negligência estatal, bem como a destruição ambiental promovida.
Priomordialmente, convém ressaltar que a indiferença governamental é um potencializador do problema. A respeito disso, o filósofo Zygmunt Bauman afirmou que algumas instituições, na era pós-moderna, configuram-se como “zumbis”. Dentro dessa lógica, tais instituições perderam suas respectivas funções sociais, todavia tentam manter-se a qualquer custo. Sob essa lógica, analogamente, o Estado cumpre o papel apontado por Bauman, haja vista que negligencia a fiscalização do agronegócio no país. Desse modo, os grandes fazendeiros não respeitam as áreas de preservação ambiental ou territórios indígenas assegurados pelo Governo Federal.
Outrossim, a destruição ambiental promovida pela atividade agropastoril é outro complexo dificultador. Nessa perspectiva, segundo o filósofo Karl Marx, o capitalismo prioriza lucros em detrimento de valores. Nesse contexto, a atividade latifundiária atual, tendo a economia como base, procura maximizar lucros, mesmo que de forma inconsequente, o que recai sobre outros segmentos, como o meio ambiente. Assim, o exarcebado uso de agrotóxicos contamina o solo, águas subterrâneas e proporciona a bioacumulação de insumos tóxicos nos alimenos, o que prejudica ecossistemas e a saúde da população.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas, a fim de minimizar o imbróglio. Para tanto é papel do Governo Federal fiscalizar a atividade agropecuária, mediante envio de agentes reguladores nas áreas de maior desmatamento e invasão de áreas protegidas. Tais medidas devem se dar mediante redirecionamento de verbas da União para tal fim, com o propósito de regular a expansão e controlar os impactos da agropecuária no Brasil.