Poluição sonora: desafio para a saúde coletiva

Enviada em 06/10/2020

A agenda ONU 2030 é um plano de ação global composto por dezessete metas que visam melhorar o mundo, e uma de suas tarefas é a garantia de saúde e bem-estar. No entanto, o propósito torna-se inalcançável quando o assunto é o desafio da poluição sonora para a saúde pública. Nesse sentido, seu problema deriva não só do excesso de automóveis particulares nas cidades, mas também da hiperatividade populacional.

Em primeiro lugar, é fundamental pontuar que o culto pelo carro contribui com o ruído das metrópoles. Nessa perspectiva, segundo Jane Jacobs, o automóvel não só é utilizado como meio de transporte, mas também como status social. Porém, essa super valorização, faz com que mais pessoas passem a utilizar veículos privados, o que intensifica a poluição sonora, uma vez que o excesso desses modais nos centros urbanos, por meio de suas buzinas e motores, promove o aumento desse distúrbio. Por conseguinte, implica-se, infelizmente, a ansiedade e o desgaste auditivo, por exemplo, causados pelo estresse de tais ruídos, o que intensifica o problema de saúde pública, já que, muitas vezes, são menosprezados pelo Estado e população.

Além disso, é imperativo ressaltar que a hiperatividade populacional contribuí com a problemática. Nessa ótica, de acordo com Guy Debord, na obra “Sociedade do Cansaço”, vive-se, hodiernamente, em uma sociedade extremamente hiperativa e focada na alta produtividade. Todavia, as consequências geradas por tal modelo, implicam-se o não desligamento das atividades dos grandes centros urbanos, o que acaba por prejudicar o sono da população que convive em tais regiões, visto que, geralmente, as poluições sonoras persistem até na madrugada. Logo, é inaceitável que a alta exigência populacional pelo máximo esforço, não só aumente os ruídos nas cidades, mas também intensifique o problema da saúde pública, dado que uma má noite de sono prejudica no balanceamento hormonal e aumenta as chances de desenvolver doenças crônicas.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas a fim de minimizar os impactos da poluição sonora. Certamente, para que o problema seja amenizado, faz-se necessário que o Estado - Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias Municipais - crie propostas que visem combater o excesso de ruídos e suas consequências. Isso será feito mediante um site governamental, para a massa populacional, que busque informar os efeitos colaterais de tais ruídos e também na intensificação de multas para as pessoas que desrespeitem os regulamentos sonoros. Somente assim, pode-se chegar à realidade proposta pela ONU para 2030.