Poluição sonora: desafio para a saúde coletiva
Enviada em 22/10/2020
No século XVIII, com a Revolução Industrial, houve um fluxo de indivíduos do campo para as cidades, consequentemente, com uma maior concentração de pessoas no espaço urbano, as capitais tornaram-se barulhentas. Entretanto, pela urbanização em massa da sociedade ser recente, apenas no século XXI começou a ser avaliado os impactos desagradáveis da poluição sonora na sociedade, como o aumento de brigas e danos à saúde.
Diante da realidade supracitada, para Henri Lefebvre, o meio urbano é um local de conflitos. Em contraste, o barulho urbano é uma das razões para a existência da realidade evidenciada pelo filósofo, pois ela é a causa de muitos confrontos entre civis. Um exemplo disso foi constatado em uma pesquisa da Secretaria Nacional de Segurança, a qual afirma que 65% das ligações de emergência têm como motivo a briga entre vizinhos por causa do “som alto”. Assim, o barulho causado por alguém não impacta somente na sua residência ou na sua vida, mas também é escutada e, consequentemente, interfere no dia dos que estão ao seu redor, o que torna muito provável o surgimento de conflitos pela perturbação gerada. Logo, nota-se que a poluição sonora aumenta os casos de brigas no meio urbano, uma vez que quem a faz atrapalha outros cidadãos, o que gera tensão seguida de agressão.
Outrossim, excesso de sons afeta, consideravelmente, a saúde das pessoas expostas a ele. Em ressonância ao exposto, segundo a Organização Mundial da Saúde, a partir de 85 decibéis um som é considerado prejudicial para a psiquê do ser humano, e dentre os barulhos que se enquadram nesse grupo de risco estão ruídos muito presentes no dia a dia: buzina, boates e fogos de artifícios. Ademais, para a medicina, a presença de barulhos recorrentes pode ser causa de depressão. Em adição, os países da Escandinávia, que são considerados os mais felizes do mundo (de acordo com a ONU), são exemplos de que a intensidade dos sons está relacionada ao bem-estar do indivíduo, uma vez que o silêncio é muito valorizado nesses locais. Dessa forma, a poluição sonora tem, como consequência, o dano a saúde daqueles que estão expostos a ela.
Destarte, medidas são necessárias para combater a poluição sonora no país. Para tal, cabe ao Legislativo, por meio de uma lei que estabeleça um mapa que há os limites de decibéis de sons permitidos em cada espaço (o que teve sucesso quando implementado na Europa), venha extinguir a ocorrência de barulhos, a fim de evitar conflitos civis por causa de “som alto" bem como danos a saúde dos cidadãos brasileiros.