Poluição sonora: desafio para a saúde coletiva
Enviada em 27/10/2020
A obra distópica “Admirável mundo novo”, escrita no século XX, elucida a influência sonora no desempenho psíquico social, ao passo que retrata crianças recebendo estímulos de ondas mecânicas para alterar seus comportamentos. Analogamente, fora da literatura, a quantidade de ruídos absorvidos afeta diretamente a qualidade de vida populacional. Nesse sentido, seja pelo baixo senso de coletividade ou pela pobre ingerência governamental no controle de sons, o exacerbado número de conteúdos audíveis cunha-se prejudicial ao bem-estar geral e, por isso, carece de cuidados.
Previamente, é necessário salientar que a poluição sonora nada mais é do que um reflexo do individualismo moderno. À medida que a 1º Revolução Industrial instituiu-se, o contingente de ocupações tornou-se latente aos cidadãos, tendo como consequência a baixa disponibilidade de tempo livre. Dessa forma, ao possuir um horário vago, os civis esquecem-se do seu entorno, na tentativa de aproveitar ao máximo o dia. Entretanto, animais de estimação, crianças e portadores de distúrbios mentais — Como o autismo e a síndrome do pânico — são os mais afetados, pois qualquer ruído soa ensurdecedor. De acordo com a série norte-americana “Atypical”, os ruídos eram prejudiciais ao personagem autista Sam, que possuía dificuldades de realizar atividades básicas por isso. Desse modo, conscientizar os civis para que possuam atos benéficos à todos é essencial.
Ademais, a pouca atenção governamental na punição de infrações auditivas contribui para o entrave sonoro. Conforme há uma lei federal que proíbe elevadas sonoridades, mas os órgãos responsáveis não acompanham as denúncias, a normalização de volumes incômodos faz-se presente no dia-a-dia populacional. Assim, a rotina das grandes cidades, por exemplo, cunha-se nociva aos seres, visto os altos sons em prédios e no trânsito. Segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado promover mecanismos para o bem estar social. Logo, a vigilância efetiva da lei é essencial para o bem estar das minorias.
Portanto, ações são indispensáveis para a preservação do bem-estar social. Sob essa ótica, a criação de propagandas televisivas que discorram sobre os impasses do abuso sonoro e seus atingidos, por meio de iniciativas publico-privadas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e empresas midiáticas, é essencial para propiciar o senso de coletividade na população. Para isso, a renda do Superministério da Cidadania serviria como custeio. Outrossim, a instituição de um Disque Denúncia online para averiguação de descumprimentos legislativos sonoros, por intermédio de uma ementa legislativa feita pelas Assembléias Legislativas Estaduais, é mister a fim de diminuir os ruídos. Apenas assim casos como os de “Atypical e “Admirável mundo Novo” não serão realidades.