Poluição sonora: desafio para a saúde coletiva

Enviada em 26/11/2020

Nas eleições municipais de 2020, foram muitos os candidatos que investiram em carros de sons, comícios e carreatas com sons de frequências altas. No Brasil, a poluição sonora se tornou um dos maiores problemas dos centros urbanos, visto que seus prejuízos podem ser observados nos que a enfrentam constantemente através da insônia e do estresse. Tendo isto em vista, urge que a problemática em análise seja amenizada através de projetos de leis municipais realmente eficazes, que visem a saúde e o bem-estar geral da população.

Em primeiro lugar, é importante que se coloque em debate a poluição sonora, tão pouco discutida na sociedade. De acordo com especialistas, a contaminação por meio dos sons ocorre quando estes superam os níveis normais indicados aos humanos, desenvolvendo, em constante exposição, graves problemas à saúde. Com isto em mente, nota-se que a problemática é comum e muitas vezes não discutida como questão de saúde pública; dos campeonatos de sons automotivos aos festivais de música, a contaminação se faz presente sem que os ouvintes — muitas vezes — percebam e tomem providências que garantam a saúde coletiva.

Em segunda instância, é preciso discutir a respeito dos prejuízos causados pelas atividades que perturbam o silêncio ambiental e natural. De acordo com a empresa ISOVER Saint-Gobain, são muitos os danos acarretados por esse tipo de poluição; dentre os principais e mais prejudiciais, podem ser citados a perda de audição, depressão, perda de desenvolvimento cognitivo e crises de insônia. Além disso, a fauna e flora também são afetadas; um estudo publicado pela revista Biology Letters revelou que, com a contaminação do som, muitas espécies de répteis, anfíbios, pássaros e peixes têm seus ciclos de vida e comportamentos prejudicados nas relações de caça e predação.

Por conclusão, é preciso que medidas sejam realizadas para reverter os danos e prejuízos causados pela poluição sonora. Tendo em vista os fatos e dados analisados, cabe às Câmaras Municipais, por meio de debates entre a população e vereadores, o desenvolvimento e aprovação de “Leis do Silêncio” realmente eficazes e efetivas às singularidades de cada município. Visando o sossego e a garantia de bem-estar e saúde coletiva, somente desta maneira todos se sentirão seguros e não serão prejudicados por situações que, na maioria dos casos, não possuem controle.