Poluição sonora: desafio para a saúde coletiva

Enviada em 10/01/2021

Na ficção ‘’Atypical’’, o protagonista Sam está no espectro autista e apesar de ser adolescente, ainda não pode ir sozinho em transportes públicos por conta dos altos barulhos da cidade que causariam uma severa crise no rapaz. Desse modo, de maneira análoga à história fictícia, a poluição sonora também é um desafio para a saúde de todos. Logo, medidas devem ser tomadas analisando a falta de empatia, bem como a superlotação dos grandes centros.

Deve-se pontuar, de início, que a partir de 2019, a Alemanha baniu completamente fogos de artifício com ruídos objetivando evitar a morte de cachorros e crises de sensibilidade em autistas. Contudo, no Brasil, esse tipo de barulho ainda é permitido mesmo após as diversas campanhas alertando as problemáticas a cerca dessa prática. Logo, nota-se que a teoria de Rousseau que afirma que a empatia deveria ir além dos laços familiares não está presente na sociedade, acarretando diversos problemas a aqueles que sofrem com as consequências dessa prática.

Sob esse viés, pode-se apontar, ainda, que a partir da Revolução Industrial, houve um intenso êxodo rural, além da criação do veículo particular, fazendo com que a cidade se torne o grande centro de fluxo de pessoas e carros. Entretanto, com inchaço das metrópoles e a ampliação da frota de veículos, a poluição causada pelo barulho se tornou intrínseca ao cotidiano urbano. Dessa maneira, esses sons podem acarretar diversos problemas de saúde pública, como a insônia por conta do barulho noturno.

Em suma, é evidente a necessidade de propostas, a fim de promover uma diminuição dos desafios para a saúde coletiva causados pela poluição sonora. Em vista disso, o Ministério da Saúde, órgão responsável pelas políticas de saúde pública, em parceria com o Ministério da Cidadania, órgão responsável pela políticas sociais, devem criar o programa nacional ‘’Silencia-se’’, que irá promover diversas campanhas de conscientização sobre os problemas enfrentados por aqueles sensíveis a sons altos, a fim de criar empatia na população, além disso, deve-se promover o uso de veículos silenciosos e diminuir o uso das buzinas, com o objetivo de silenciar as cidades. Talvez, dessa maneira, criar centros urbanos confortáveis para pessoas como Sam.