Poluição sonora: desafio para a saúde coletiva
Enviada em 08/06/2022
Poluição sonora: intervenções
Qualquer som produzido por qualquer pessoa tem o potencial de se tornar uma poluição sonora. A partir do momento em que o ruído produzido pode causar desconforto acústico às pessoas, ele já pode ser considerado danoso à saúde humana. No entanto, para ser avaliado como um incômodo, há a dependência de avaliação subjetiva: por exemplo, o que é música para uma platéia num espetáculo gigante, pode ser barulho para os moradores do entorno que nada tem a ver com aquele evento.
Pensando-se nas possibilidades de intervenções, é necessário primeiro apelar para a “política da boa vizinhança”, ou seja, promover um diálogo entre aquele que incomoda e aquele que é incomodado. Se as partes não chegarem a nenhum consenso e continuarem na discórdia, é interessante que a parte incomodada vá procurar outros meios que possam defender os seus direitos enquanto cidadão.
Esta questão é regulamentada por lei e passível de punião. No entanto, não há fiscalização e autuação em muitos lugares.Em muitas cidades, como em São Paulo, por exemplo, há a presença do poder público como representante do cidadão, e um deles é o Programa PSIU, que visa fiscalizar e reprimir esses sons indesejáveis. No entanto, não há atendimento satisfatório por parte do programa. Em geral, os cidadãos chamam a polícia militar para que dêem conta dos distúrbios causados por outrem.
No entanto, apesar da aparente ineficiência que foca o combate ao ruído através da repressão e da punição, é interessante pensar que caberia aos órgãos públicos investir na educação “auditiva” do público, promovendo a saúde através de palestras de conscientização pelo bem-estar - não só de si mesmo, mas também do próximo. A partir da interiorização das necessidades dos outros, de se tornar um agente ativo que presta atenção e sabe que o espaço que ocupa não é somente dele, mas dos outros, pode ser um caminho possível para se promover a saúde auditiva coletiva.