Poluição sonora: desafio para a saúde coletiva

Enviada em 12/11/2022

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca da poluição sonora presente no Brasil. Esse assunto, infelizmente, não tem tido a merecida importância, devido à falta de reflexão e ao silenciamento midiático. Assim sendo, é imprescindível refletir e intervir em tais problemáticas em prol da plena harmonia social.

Diante desse contexto, é válido destacar o contrassenso como um sustentáculo do óbice. Efetivamente, conforme o conceito de Banalidade do Mal, cunhado pela filósofa Hannah Arendt, a sociedade tende a banalizar males aos quais é frequentemente exposta. Imerso nessa conjuntura, a contínua ocorrência de situações envolvendo poluição sonora - utilização de fones de ouvido em um volume prejudicial e alto falante muito próximo dos ouvintes, por exemplo - leva, em congruência com Arendt, à normalização por parte do corpo civil, que passa a se portar de maneira irracional diante do imbróglio. Como consequência, casos de surdez tornam-se cada vez mais comuns no Brasil. Logo, nota-se a influência do ilogismo na construção desse quadro deletério.

Ademais, é lícito mencionar que a inércia da mídia corrobora o dilema. Nessa lógica, consoante o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. A mídia, segundo ele, é uma dessas ferramentas, mas, ao invés de promover debates sobre os desafios impostos pela poluição sonora, influencia no silenciamento do problema, já que não denuncia o prejuízo que o recorrente contato entre sons de alta amplitude e os tímpanos oferece para a vida do indivíduo - a exemplo da surdez precoce. Por conseguinte, a sociedade permanece irreflexiva, o que atrasa a mitigação da agrura. À vista disso, torna-se nítida a importância da denúncia midiática para o enfrentamento da tribulação.

Portanto, cabe ao Governo - órgão responsável por reger o país - estabelecer parcerias público privadas - a partir da oferta de isenção de parte dos impostos a grandes empresas -, por intermédio da elaboração de campanhas e comerciais - patrocinados por essas empresas - sobre os desafios que a poluição sonora impõe à saude coletiva, com o intuito de remediar o óbice.