Poluição sonora: desafio para a saúde coletiva

Enviada em 14/09/2025

De acordo com Aristóteles, “a base da sociedade é a justiça”. Contudo, o Brasil do século XXI contraria esse princípio, visto que a poluição sonora configura uma forma de injustiça que compromete a ordem e o progresso, lema da bandeira nacional. Nesse contexto, é fundamental compreender não apenas a principal causa desse fenômeno, mas também sua consequência para a sociedade, já que tais práticas comprometem a convivência social harmônica.

Em primeiro lugar, a desinformação leva a população a repetir padrões nocivos ao convívio coletivo. Isso ocorre porque, diante de falhas educacionais que formam indivíduos, mas não cidadãos, nega-se a consciência de pertencimento comunitário, essencial à cooperação social. Tal cenário reflete a dificuldade de se construir uma sociedade que valorize a coletividade acima do interesse individual, em um ambiente em que prevalece a ausência de responsabilidade compartilhada. Nesse sentido, Kant afirma que o ser humano é resultado da educação recebida, evidenciando a lacuna educacional que intensifica o problema.

Ademais, a poluição sonora afeta gravemente a saúde coletiva. A falta de conscientização leva indivíduos a promover eventos irregulares que prejudicam o entorno. Segundo o Ministério Público, denúncias de som alto são recorrentes em municípios brasileiros, o que mostra a dimensão da problemática e a necessidade de maior fiscalização. Esse quadro remete a Hegel, que, ao afirmar que a razão rege o mundo, reconhece também a persistência da irracionalidade nas ações humanas. Logo, sem uma presença logicamente estruturada e sistematizada, a intervenção nesse cenário torna-se dificultada e de baixo alcance.

Portanto, cabe ao Ministério Público, em parceria com prefeituras e governos estaduais, promover palestras educativas em escolas e campanhas midiáticas de amplo alcance, com cartazes, comerciais e panfletos em locais de grande circulação. O objetivo é conscientizar a população de todas as idades e estimular mudanças de comportamento, assegurando maior respeito ao bem-estar coletivo. Assim, será possível concretizar não apenas a justiça proposta por Aristóteles, mas também a ordem e o progresso.