Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio
Enviada em 06/01/2021
A Constituição de 1988 assegura o acesso à educação para qualquer cidadão. No entanto, percebe-se uma lacuna na garantia desse direito na questão da reforma do ensino médio, o que, além de grave, torna-se um problema constitucional. Nesse contexto, esse tema possui como causas a má influência midiática e a falta de investimentos.
Em primeiro plano, é preciso ressaltar a má influência midiática presente na questão. Desse modo, conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação sobre os conceitos da mudança do ensino médio para a população, influencia na consolidação do problema por meio do seu silenciamento perante o tópico.
Outrossim, a falta de investimentos ainda é um grande impasse para a resolução dessa problemática. Dessa forma, de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a taxa de investimento no Brasil, somando setores público e privado, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. Porém, para agir sobre problemas coletivos, como na questão da modificação do ensino médio, é preciso de investimento massivo. Dessa maneira, como há uma lacuna financeira no que tange ao problema, a insuficiência do capital atual ocasiona a falta de salários para os professores e a impossibilidade de trabalharem apenas em um lugar, o que leva à incapacidade de cumprir com a nova carga horária proposta.
Portanto, tais entraves deverão ser solucionados. Para esse fim, o Ministério da Educação deverá informar a sociedade sobre os benefícios dessa reforma e aumentar sua verba. Logo, isso será realizado por meio de comerciais educativos e a instituição de uma porcentagem do PIB exclusivamente para isso. Com isso, essas ações terão como efeito o aumento dos salários para os docentes e o fim da contradição popular. Ainda, a fatia a ser reservada para os pagamentos será de 20% do PIB.