Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio
Enviada em 26/07/2021
Em uma de suas obras de maior relevância, A República, Platão descreve a situação de indivíduos que se recusavam a observar à realidade em virtude do medo de sair da sua zona de conforto (caverna). Paralelamente ao atual contexto da reforma do ensino médio brasileiro, nota-se extrema proximidade no diz que respeito às propostas elencadas pelo Governo Federal. Diante disso, evidencia-se à dificuldade em promover mudanças de caráter significativo nas bases escolares. Isso se deve à banalização desse óbice pelo coletivo tupiniquim.
Em primeiro lugar, deve-se ater às causas primárias dessa problemática no corpo social brasileiro. Nesse sentido, é relevante defender à polarização de discursos, muitas vezes infundados e contraditórios, que impedem à promoção de debates de fato úteis à narrativa. Sob essa ótica, exprimi-se que a inserção de áreas que contemplem o ensino profissionalizante impactam de forma negativa às escolhas do aluno, que serão maiores às dificuldades para ingressar nas universidades com o Novo Ensino, visto que os vestibulares cobram conhecimentos mínimos de diversas áreas, que não seriam contempladas e, por fim, que a reforma do ensino médio não seria capaz de oferecer uma educação pluralista.
Em segundo lugar, é pertinente discutir às consequências dessas pautas no corpo social brasileiro. Portanto, é relevante trazer à narrativa a célebre obra do dramaturgo José Saramago, ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’. Nesta obra, o autor discorre sobre uma sociedade moralmente cega e alheia à realidade que a permeia, o que chama de ‘‘O Eclipse da Consciência’’. Ao traçar um paralelo com à realidade brasileira, nota-se cirúrgica semelhança nos discursos promovidos, muitos desses apenas reproduzidos e não pensados. Nesse panorama, têm-se que ao inserir currículo profissionalizante à Grade, cria-se à oportunidade do aluno conhecer de forma prévia o mercado no qual se pretende inserir e ter renda, diminuindo à evasão do Ensino Superior, que mesmo oferecido no ensino público, requer investimento pessoal. Outrossim, de acordo com as bases do projeto elencadas pelo MEC, o ENEM, será reformulado a partir das referências do Novo Ensino Médio, assim como, as disciplinas de humanidades continuarão à compor à BNCC, de acordo com o próprio órgão responsável.
Visto isso, urge que o Ministério da Educação em parceria com empresas de mídia, por meio de campanhas nas redes sociais e televisão, promova propagandas que expliquem de forma mais detalhada as diretrizes dessas mudanças, a fim de exemplificar para a Classe Estudantil os aspectos positivos e negativos da proposta, promovendo maior clarificação do assunto e o debate coerente entre Poder Público e sociedade civil, permitindo, enfim, à luz da consciência social.