Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio

Enviada em 12/08/2021

A Reforma Brasileira do Ensino Médio, medida provisória com previsão de início em 2022, institui uma nova carga horaria e, além das matérias obrigatórias, adicionará um adicional, com base na área profissional que o estudante deseja se especializar. Entretanto, essa nova reforma estudantil gera diversos comentários, positivos e negativos. Assim, torna-se pertinente pontuar os possíveis impactos negativos da restauração do Ensino Médio para os estudantes, visando aprimora-las.

Primeiramente, vale ressaltar que o atual Ensino Médio possui uma carga horaria anual de 800 horas, já a meta final da reforma é atingir 1400 horas anuais. Nessa perspectiva, é notório que os estudantes brasileiros passarão 600 horas além do habitual e, consequentemente, gerarão adultos com um maior entendimento sobre determinados assuntos e escolas em tempo integral. Atualmente, 15,8% dos jovens a partir dos 16 anos abandonam a escola para se dedicar ao aumento salarial familiar, diz pesquisa realizada pelo IBGE. Já a análise produzida pela OCDE ( Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), cerca de 43% dos adolescentes brasileiros conciliam os estudos com o trabalho. Desse modo, averígua-se que a taxa de jovens que deixarão o âmbito escolar para dedicarem-se somente ao trabalho aumentarão explicitamente caso não aja nenhuma alteração.

Ademais, a pouca idade agregada a capacidade de escolha é um impasse que deverá ser trabalhado, uma vez que o aluno só reconhece sua área de conhecimento de afinidade quando está no Ensino Médio. Todavia, com o novo Ensino Médio o aluno terá que realizar essa tomada de decisão muito jovens, com uma idade considerada incapaz de fazer escolhas tão importantes, por especialistas. Desse modo, os adolescentes que se virem insatisfeitos com a escolha inicial, de área de conhecimento, sentirão como se tivessem perdido tempo estudando algo que não era do agrado dos mesmos e migrarão para outra especialidade, porém, ao chegarem nessa nova vertente de estudo, se depararão com alunos mais bem preparados e com um maior conhecimento sobre os assuntos. Nesse cenário, surgirão jovens com sentimentos de inutilidade e incapacidade, o que pode gerar problemas mentais como a depressão.

Entende-se, portanto, que não só as escolas deverão amostrar e disponibilizar com antecedência aos alunos parte das aulas aplicadas em cada vertente do conhecimento, com o intuito de disponibilizar aos estudantes a possibilidade de encontrar os seus verdadeiros “sonhos” profissionais, sem a frustração de se dedicar inteiramente à algo que não lhes agrada; mas o Ministério da Educação também deverá disponibilizar um horário flexível para os alunos que conciliam os estudos e o trabalho, com o intuito de manter, ou, até diminuir a taxa de evacuação escolar.