Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio

Enviada em 14/08/2021

Autonomia às avessas

Autonomia é uma palavra de origem grega, a qual é relacionada a autossuficiência e liberdade. Pois bem, esse é o termo utilizado para expressão da nova Reforma brasileira do Ensino Médio, “…dar autonomia aos alunos…” - segundo o Ministério da Educação (MEC). Contudo, essa contestável caracterização traz impactos negativos a vida dos estudantes.

Contrariamente, no governo Temer, a PEC 241 foi estabelecida. Tal medida previa o congelamento das despesas do Governo Federal. Com isso, investimentos no setor educacional deflagram-se, resultando na demissão de diversos funcionários e professores. O reflexo pode ser visto pelo Censo Escolar, o qual mostra uma  redução de 27% do total de docentes. Não obstante, o Programa de Ensino Integral (PEI) estabelece um aumento da carga horária de disciplinas, porém como elevar essa e diminuir os responsáveis pelas aulas? Esse é um dos pontos que prejudica a “escolha” dos discentes, posto que nem toda Instituição poderá arcar com os diversos tipos de ensino médio previsto.

Todavia, o número de jovens que conciliam trabalho e estudo tem aumentado. Isso porque o nível de pobreza no Brasil segue a mesma lógica. Segundo dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas), 12,8% da população vive com menos de duzentos e cinquenta reais por mês. Nesse cenário, optar por um ensino médio integral, muitas vezes distante das responsabilidades, não é uma autonomia positiva, o que corrobora ainda mais com a evasão escolar.

Diante a esse cenário, é irrevogável os impactos na vida de milhões de estudantes. Portanto, cabe ao MEC rever a Reforma brasileira do Ensino Médio, contestando alguns pontos como: disciplinas mais próximas ao mercado de trabalho, que envolvam a vivência social, carga horária mais flexível, fazendo com que o jovem fique mais próximo de sua realidade e garanta certa liberdade.