Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio
Enviada em 09/11/2021
A qualidade do ensino brasileiro está entre as piores do mundo, de acordo com as estatísticas do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Nesse contexto, ampliou-se o debate, no país, sobre as possíveis mudanças cabíveis ao Ensino Médio e os impactos que essas alterações causariam. Em vista disso, apesar de a reforma, que tem como base a instituição de disciplinas, as quais possuem relação pedagógica com os empregos, parecer atrativa, ela causa grandes prejuízos individuais aos alunos.
Antes de tudo, é imprescindível afirmar a importância do aprendizado exemplar na formação social do aluno. Acerca disso, é pertinente abordar a célebre frase de Immanuel Kant, filósofo prussiano, que diz: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Sob essa ótica, a máxima permite a concepção de que, quanto mais enriquecedora for a educação fornecida, melhor será a formação ética, social e profissional do aluno, o que torna legítimo o debate, no que tange às reformas no Ensino Médio.
Contudo, a atual proposta de instituir uma educação voltada à resolução de um vestibular é absurda, além de obrigar, indiretamente, o jovem aluno a escolher, precocemente, a carreira a qual irá praticar ao longo da vida. João Guimarães Rosa, a título de exemplo, era formado em medicina quando começou a compor obras literárias impecáveis e, logo depois, se tornou um dos maiores nomes da literatura nacional. Nesse sentido, demonstra-se que a formação cognitiva humana deve ser privilegiada e os alunos não podem ter um ensino planificado, ou seja, que não atenda às individualidades, além do direcionamento precoce, ao tomar, como princípio, a mutabilidade dos gostos e prazeres de cada indivíduo, enquanto o estudante ainda não está socialmente desenvolvido.
Portanto, medidas devem ser tomadas para resolução deste impasse. Para tanto, o Ministério da Educação, responsável técnico pela base curricular comum, deve, por meio de reuniões com profissionais educacionais, discutir sobre as melhores alterações para o ensino médio, de modo a desenvolver o lado humano de cada aluno e privilegiar o desenvolvimento crítico. Assim, criar-se-á uma população formadora de opinião e capacitada para tomar as melhores decisões em prol do autodesenvolvimento.