Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio
Enviada em 15/03/2022
O filósofo prusso Immanuel Kant diz que a educação é libertadora, a medida que retira o homem da ignorância. Entretanto, no Brasil, com a atual reforma do Ensino Médio, há de se pensar que o intituito da atual Reforma do Ensino Médio não é libertar. Isso fica evidente em seus possíveis impactos, como a evasão escolar e a destituição da capacidade crítica dos alunos.
Sob essa ótica, destaca-se que a adoção do horário integral afetará direta e profundamente as camadas mais pobres da sociedade. Segundo estudos do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - a taxa de evasão escolar é maior no ensino médio e se acentua ainda mais nas regiões onde a desigualdade social é proeminente, como o Norte e o Nordeste. Dessa forma, fica evidente que uma subtração do tempo desses jovens, que muitas vezes são parte indispensável da renda familiar, fará com que a evasão aumente cada vez mais, gerando um contigente cada vez maior de adultos com educação incompleta, tornando a reforma um processo segregacionista e elitista.
Além disso, o ensino meramente profissionalizante destituirá a sociedade de sua capacidade crítica. Diante desse problema, o educador Paulo Freire classificou essa educação como “educação bancária”, que formaria indivíduos incapazes de refletir de sobre a sua realidade material, condicionando a sua vida somente ao trabalho servil. Nesse sentido, a reforma poderá prejudicar a autonomia intelectual dos futuros trabalhadores, que, sem as ferramentas para pensar sua própria condição, tenderão a viver sem questionar sua situação, tornando-os seres apáticos e submissos.
Portanto, ficam evidentes os principais impactos da Reforma Brasileira do Ensino Médio. Por isso, caberá ao Poder Executivo e seus ministérios, como o da Educação e Cultura e o de Ciência, Tecnologia e Inovações, incitar a profissionalização dos estudantes, mas adequando-se a realidade de cada escola e a identidade de cada um de seus estudantes, por meio de programas de estágio e bolsas de estudos que utilizem da região em que vivem como ponto de exercício de atividades laborais, a fim de unir a geração de renda à produção de conhecimento crítico, formando trabalhadores pensantes.