Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio

Enviada em 15/08/2022

Os artigos 205 e 214 da Constituição Federal garantem a educação como um direito primordial, isto é, entende-se que sem a educação não é possível ter uma sociedade transformada. Contudo, o Brasil passou por inúmeras reformas no meio educacional passando a valorizar mais a capacidade de absorção de conteúdos pelo estudante do que a sua individualidade. Por esse motivo, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi reformada para estabelecer uma nova estrutura do Ensino Médio. Com isso, essa mudança pode causar um atraso no desenvolvimento dos professores além de atrapalhar o ingresso em universidades.

Sob uma primeira análise, os professores são depreciados desde muito tempo. Nesse viés, uma pesquisa realizada pelo Instituto Península, organização social que atua na Educação e no Esporte, mostrou que a maioria dos pedagogos são desvalorizados. Por esse motivo, a melhoria da educação se torna mais lenta, pois os profissionais que atuam na linha da frente das escolas não são devidamente incentivados a desempenhar sua profissão com excelência. Por outro lado, na pandemia do Covid-19 eles passaram a ser mais enxergados pelas famílias.

A princípio, a reforma do Ensino Médio não é o suficiente para transformar o estudante em um protagonista da sua jornada. A esse respeito, pode-se afirmar que o modo sistemático usado no Brasil para avaliar os seus alunos através de provas fez com que eles não usassem mais o seu tempo para construir uma inteligência cristalizada, baseada na vivência e amadurecimento, segundo o psicólogo Raymond Cattell. Assim, é contraditório que exista uma reforma no Ensino Médio sem antes alterar a perspectiva do aluno acerca de sua melhor forma de aprendizagem.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para combater os possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio. Nesse sentido, o Ministério da Educação, cujo papel é garantir a escolaridade aos brasileiros, deve alterar a forma de ingresso às universidades, por meio de avaliações menos conteudistas e mais pessoais dos alunos. Essa iniciativa fará com que o Colegial seja um período de preparação para a vida adulta e não somente uma maneira de preencher as horas dos estudantes.