Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio

Enviada em 11/11/2022

Segundo o filósofo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Analogamente, a reforma brasileira do Ensino Médio causará impactos diretos na formação da personalidade do indivíduo, consequentemente, influenciará no convívio social. Dessa forma, a lacuna educacional e a coerção social são danos ocasionados por tal reforma.

Em primeira análise, a lacuna educacional é um revés que atua no contexto em questão. De acordo com a Alegoria da Caverna, do filósofo Platão, é necessário conhecer a realidade para chegar a criticidade. Dado o exposto, nota-se que ao ser decidido, pela Base Nacional Comum Curicular (BNCC), que as matérias obrigatótias seriam somente Língua Portuguesa e Matemática ocorre o surgimento de lacunas no ensino e negligenciamento no desenvolvimento do senso crítico do cidadão. Está situação ocorre pois o sujeito deverá escolher qual área do conhecimento ele irá aprender, perdendo o acesso a outros conteúdos essenciais para o seu amadurecimento.

Outrossim, a coersão social é outra adversidade a ser debatida. A expressão supracitada, segundo estudos do sociólogo Émile Dukhein, refere-se a pressão realizada pela sociedade sobre o indíviduo. Esta ação apresentará maior impacto na saúde mental dos jovens após a reforma, em razão destes adolescentes conviverem com a responsabilidade de decidirem tão precocemente uma profissão que possibilite que eles ascendam na sociedade, caso contrário, a comunidade os considerarão como fracassados. A problemática em foco é intensificada posto que,

conforme o parágrafo anterior, o estudante não descobrirá em qual área realmente se destaca por limitação do novo sistema, o que afeta o autoconhecimento do mesmo, gerando ansiedade e depressão neste.

Portanto, a reforma no Ensino Médio apresenta muitos malefícios para o estudante. Dessa maneira, o Ministério da Educação (MEC) deve promover uma reforma que respeite o processo de autoconhecimento do indivíduo, por meio de debates com a participação de professores e alunos sobre o desenvolvimento do projeto. Assim, será possível que a pressão sobre os jovens seja amenizada e estes tenham a oportunidade de desenvolverem seu senso crítico de forma eficaz.