Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio

Enviada em 20/05/2023

O artigo 206 da Constituição Federal, promulgada em 1988 garante o direito a igualdade de condições para acesso e permanência na escola, além do padrão de qualidade da aprendizagem. A reforma do Ensino Médio parte exatamente dessa premissa, contudo, em face do cenário atual instaurar um plano equitativamente em um país desigual contradiz a sua proposta. Nesse sentido convém analisarmos as principais causas e consequências dessa empasse em nossa sociedade.

O Ministério da Educação afirma que o projeto tem como objetivo assegurar ao aluno o poder de roteirizar sua formação de acordo com seu interesse e/ou necessidade. Todavia, a realidade das instituições no Brasil e do seu alunado contradiz com esse direito de escolha, as opções ofertadas á eles se tornam restritas ao material, espaço e professores que a escola possui.

À medida que se parte do pressuposto que todos são iguais, o que é estudado durante os anos escolares deveria servir, por exemplo, como pilar para exames de entrada nas universidades sejam elas públicas ou privadas. A reforma mudou a carga horaria havendo uma diminuição significativa em disciplinas obrigatórias, o que gera um descompasso na aprendizagem, sendo que a parte flexível do currículo é voltada para suas respectivas áreas de conhecimento, o que não acontece em vestibulares já que a avaliação tem como finalidade medir como um todo o estudante.

Dessa forma é interessante otimizar a visão que de qual seria o verdadeiro objetivo da formação acadêmica, pensando sempre que na escola se formam cidadãos que precisam ser seres críticos, que tenham oportunidades e possam deliberar sobre o seu futuro. A reforma precisa ser revista e discutida dentro de diferentes polos com maior participação do corpo discente e docente, afinal ninguém melhor que os alvos para entenderem e sugerirem possibilidades que se adequem as suas realidades.