Possíveis impactos da reforma brasileira do Ensino Médio
Enviada em 14/07/2023
O Brasil é reconhecido internacionalmente pelos seus estudos e pesquisas a respeito da educação, por meio do avanço do debate pedagógico proposto por Paulo Freire. Embora esses frutos sejam positivos à questão educacional, atualmente, este cenário encontra-se em crise, em razão da Reforma do Ensino Médio, o que revela as desigualdades sociais presentes na sociedade.
Em primeiro lugar, deve-se analisar quem será impactado por esse projeto. Neste aspecto, sabe-se que a escola pública é frequentada, em sua maioria, por jovens de baixa renda e devido à esse fato, direcionar a grade curricular apenas para meio profissionalizante é, em última instância, negar o direito ao acesso à educação proposta por lei. Neste ponto de vista, ao analisar o grafico proposto, sabe-se que 40% das aulas são flexíveis, além disso, tem-se aulas de “RPG”, “Brigadeiro de Pote”. Ao ponderar esses dados, revela-se que há um distânciamento dos estudantes das universidades, portanto a negação do direito citado acima, o que representa o impedimento de ascenção social e ocupação de novos espaços.
Em segundo lugar, além de promover as desigualdades sociais, a escola deixa de ser um ambiente de transformação social e de empoderamento do indivíduo. Em consequência disso, seu papel não é mais político, isto é, uma ferramenta para a transmissão de conhecimento, mas se torna um meio alienante para reproduzir técnicas. Segundo Paulo Freire, o mundo é transformado através da educação que foi dada às pessoas. Como resultado, o conhecimento será restringido apenas à classe social, o que está de encontro aos ideais democráticos da sociedade brasileira.
Considerando os argumentos citados acima, o Ministério da Educação em união à UNESCO deve promover debates com especialistas e pesquisadores sobre educação para promover um projeto coerente com a realidade social e que também permita o acesso às universades. Além do mais, as prefeituras estaduais devem realizar um plebiscito à população estudantil e aos responsáveis a respeito das grades, para então, encontrar um senso comum e democrático, o qual permita que todos possam ocupar o lugar de conhecimento e epoderamento social.