Preconceito Linguístico
Enviada em 01/09/2025
Na obra literária “Vidas Secas”, Graciliano Ramos, romancista brasileiro, aborda sobre como a linguagem é usada para segregação e discriminação dos personagens. Fora das páginas, este não é um fato isolado, visto que o preconceito linguístico está presente na atualidade. Tal cenário ocorre, devido à elite intelectual adotar uma norma culta e à mídia social e televisiva reforçarem estereótipos.
No limiar do contexto histórico, a alta sociedade fortalece a crença de que a norma padrão é a única correta, desconsidera os falantes com dificuldade de acesso, bem como sua diversidade regional da língua. Como por exemplo, pessoas que moram nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste são vistas como atrasadas, nordestinos conhecidos por “analfabetos” e os outros como “caipiras”. Dessa forma, a elite utiliza o conhecimento como meio de dominação e distinção social, contribuindo para marginalização das falas populares, dialetos e identidades regionais, corroborando também na perpetuação das desigualdades e na imagem estereotipada de incompetência e/ou falta de educação.
Concomitante a isso, a mídia é grande responsável por reproduzir estereótipos, veiculando piadas e tratativas pejorativas aos individuos discriminalizados. Cabe referenciar o ator Silvero Pereira, conhecido pelo filme “Bacurau”, que em sua rede Instagram refletiu sobre as ofertas de papéis preponderantemente para personagem nordestino e com sotaque marcado e caricato. Este também relata que em outros empregos, precisou neutralizar sua pronúncia para ser aceito. Ou seja, o interesse não é em dar visibilidade em prol do combate à intolerância, mas sim ridicularizar através do humor em traços de fala do sujeito e sua comunidade ou ainda no apagamento cultural quando conveniente.
Torna-se evidente, portanto, que o Ministério da Educação - instituição do Governo Federal que implementa políticas educacionais - acrescente na grade curricular uma matéria denominada “Língua e Sociedade”, a fim de erradicar o preconceito a começar pela educação, e em parceria com o Ministério da Cultura, propague comerciais televisivos afirmando respeito as variedades da linguagem e forma de comunicação.