Preconceito Linguístico
Enviada em 15/06/2020
A língua é um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, já que é responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto, ela também pode atuar de maneira negativa, sendo uma das ferramentas de segregação social. Do mesmo modo, o preconceito linguístico no Brasil, é muito evidente e, por isso, é preciso entender que há diversas variantes na língua, e uma não deveria ser mais prestigiada em relação às demais.
É relevante abordar, principalmente, que o preconceito linguístico,“pouco discutido no Brasil” acentua ainda mais a desigualdade social no país, pois a língua está ligada à estrutura e aos valores da sociedade, e os falantes da norma culta são aqueles que apresentam maior nível de escolaridade e poder aquisitivo. Em virtude disso, tem-se o exemplo do médico de Serra Negra/SP que em 2016 debochou do paciente em redes sociais quando o mesmo o questionou sobre um tratamento de “peleumonia”. Situações como essa são comuns no dia a dia e, na maioria das vezes, quem sofre esse tipo de preconceito são pessoas pobres que tiveram precário acesso à educação.
Além disso, vale ressaltar que, embora todos os brasileiros sejam falantes da Língua Portuguesa, ela apresenta diversas particularidades no contexto regional, social e histórico. Isso significa que a linguagem está em contante transformação, e os responsáveis pelas mudanças são os próprios falantes, independente de classe social ou nível de escolaridade . Certamente, essas variações visam à comunicação, sendo assim, não se deve considerá-las erros. Nesse sentido, não se deve desconsiderar a gramática normativa e suas regras, já que ela serve como base para o sustento do idioma, mas sim admitir que todas as variações são inerentes à língua.
Fica claro, portanto, que a língua é um fator decisivo na exclusão social. Por isso é necessário que, as escolas com a ajuda do Ministério da Educação façam uma abordagem sobre esse tema nas aulas de Português e explique suas variantes existentes na língua , a fim de mudar a concepção purista. Ademais, devem criar projetos que envolvam toda as famílias como seminários, feiras e teatros, para que cada individuo construa a ideia de que a norma não deve ser ignorada, mas que o respeito ao próximo é essencial. Dessa forma, o Brasil conseguira combater o preconceito linguístico em todos os ambitos.