Preconceito Linguístico
Enviada em 01/09/2020
O Modernismo, corrente literária do século XX, valorizou os diferentes regionalismos brasileiros. Porém, enquanto em textos de Oswald de Andrade essa valorização é evidente, o preconceito linguístico ainda é presente na sociedade brasileira. Diante disso, a mentalidade academicista ainda vigente, bem como o forte apelo midiático reforçam a discriminação sofrida por milhares de falantes brasileiros.
Em primeiro plano, é necessário discutir acerca da padronização da língua portuguesa. Durante a colonização, o domínio lusitano oprimia as línguas africanas e indígenas para garantir a sua hegemonia sobre o território. Dessa forma, as raízes desse pensamento permanecem até os dias atuais no imaginário dos indivíduos, como nas escolas, as quais priorizam a gramática normativa em detrimento das variações linguísticas. Assim, o corpo social não é preparado para respeitar e reconhecer os diferentes falares, fato que acentua o preconceito e dificulta a integração de toda cultura brasileira.
Em segundo plano, cabe mencionar o papel da mídia na intensificação desse problema. Segundo o filósofo Michel Foucault, em sua obra ‘‘Microfísica do Poder’’, os indivíduos utilizam diferentes mecanismos de dominação. Sendo assim, é nítido que a língua é usada como instrumento de opressão, uma vez que veículos midiáticos fomentam estereótipos e ridicularizam dialetos, a exemplo do nordestino, visto sempre como analfabeto e ignorante. Tal quadro leva ao desrespeito contra, principalmente, as classes menos favorecidas e sem acesso à educação, o que fortalece o processo de desigualdade e exclusão social.
Portanto, medidas são necessárias para a resolução dessa problemática. Por isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, por meio de uma mudança na grade de ensino, a inserção de matérias que abordem as riquezas linguísticas do Brasil - haja vista que a escola é a máquina socializadora do Estado -, a fim de estimular o respeito e levar conhecimento cultural à população. Ainda, as mídias devem incentivar uma mudança na mentalidade dos indivíduos, por meio da alteração na forma de criar personagens de novelas, filmes e comerciais, a fim de quebrar estereótipos e combater a discriminação linguística e social. Desse modo, o reconhecimento da diversidade oral brasileira não será restrito à literatura modernista.