Preconceito Linguístico

Enviada em 07/10/2018

O movimento Modernista, ocorrido no século XX, propunha utilizar e valorizar a língua nacional, usufruindo de suas variações. Contudo, aproximadamente um século depois, a sociedade brasileira continua a praticar o preconceito diante da variabilidade das expressões verbais, seja por aversão a um sotaque regional, seja por menosprezar expressões de diferentes grupos sociais.

Em 2016, no interior de São Paulo, um médico ironizou um paciente após uma consulta em que este pronunciava algumas palavras erradas. Em face de tal notícia, é possível analisar que a sociedade brasileira perpetua o preconceito linguístico demonstrado por Monteiro Lobato, em Jeca Tatu. No entanto, os praticantes de tal intolerância não indagam as origens por trás da dificuldade em expressar-se verbalmente, muitas vezes oriunda da carência do ensino da língua portuguesa e de suas variações linguísticas.

Ademais, a rejeição a variabilidade no idioma brasileiro é oriunda do pensamento de que a melhor língua falada é aquela que se aproxima da gramática normativa, como afirma o linguista Marcos Bagno, em “Preconceito linguístico: o que é, como se faz”. Assim, o sotaque mineiro, por exemplo, é tido como superior por aproximar-se da gramática regular, enquanto o sotaque nordestino é considerado inferior. Entretanto, tal ideia é infundada ao analisar-se que os sotaques regionais ou as gírias usadas entre grupos têm por objetivo facilitar o diálogo entre as pessoas que os usam.

Destarte, para minimizar o preconceito linguístico, o Ministério da Educação pode pôr na grade curricular de ensino a apresentação das variedades linguísticas, por meio de palestras, de oficinas e de gincanas, buscando educar as crianças e os jovens a respeitarem as diferenças. ONGs e associações podem usar propagandas em redes sociais, Tvs e  outros meios buscando abordar, explorar e ensinar a versatilidade da língua para que as pessoas passem a aceitá-la.