Preconceito Linguístico

Enviada em 06/10/2018

O Modernismo foi um dos primeiros movimentos a defender a liberdade linguística. Nessas circunstâncias, nomes como Oswald de Andrade e Mário de Andrade incluíam variações linguísticas nas obras que produziam como expressão da diversidade comunicacional do Brasil. Apesar disso, ainda hoje o preconceito linguístico faz parte do cotidiano nacional e demonstra, assim, que a plenitude desses ideais não foi alcançada. Nessa discussão, torna-se imprescindível analisar tanto o ensino normativo da língua portuguesa nas escolas quanto os paradigmas sociais que culminam nessa problemática.

Em primeira análise, é importante destacar a predominância da instrução da variante padrão da língua nas instituições de ensino em detrimento de outras variações. Nesse contexto, os estudantes confundem a língua - conjunto de variantes linguísticas - com a gramática normativa, o que resulta na compreensão deficiente da diversidade do idioma e da função do código linguístico. Elucida-se esse quadro na obra “Preconceito linguístico”, de Marcos Bagno, pois, de acordo com o linguista, a falta de entendimento da língua é resultado do processo histórico de ensino normativo. Sob esse viés, entende-se que o preconceito linguístico deriva da infraestrutura escolar brasileira.

Ademais, é precípuo ressaltar a perpetuação do preconceito linguístico por meio de discursos. Nesse cenário, expressões cotidianas, como “fala direito”, reforçam e cristalizam concepções na sociedade, como a existência de erros na linguagem verbal informal, que legitimam a discriminação linguística. Isso pode ser entendido no conceito de “Habitus”, de Bourdieu, porque, segundo o teórico, os costumes coletivos influenciam os valores individuais. Nessa perspectiva, infere-se que a sociedade é responsável pela manutenção do preconceito linguístico.

Diante dessa conjuntura social, são necessárias medidas para solucionar o problema. Portanto, o Ministério da Educação (MEC), responsável pela grade curricular, deve promover a diversidade linguística, por intermédio da implementação do currículo nacional com conteúdos de estudos da cultura regional, para que os estudantes entendam as variações do idioma, a fim de evitar o preconceito. Paralelo a isso, cabe à família, determinante à socialização primária, desenvolver a tolerância, por meio de diálogos que incluam pautas sobre preconceitos, com vista em atenuar o preconceito linguístico.