Preconceito Linguístico

Enviada em 07/10/2018

Na obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, publicada em 1999, dividida em quatro capítulos, o professor, linguista e filólogo Marcos Bagno aborda sobre os diversos aspectos da língua bem como o preconceito linguístico e suas implicações sociais. No contexto social vigente, no Brasil, o entrave é algo muito notório, visto que muitos indivíduos consideram sua maneira de falar superior a de outros grupos. Entretanto, as variações devem ser consideradas um valor cultural e não um problema.

Antes de tudo, cabe salientar que o  preconceito linguístico está relacionado ao etnocentrismo -visão de superioridade. Além disso,  ele ocorre, sobretudo, nas regiões do país, por exemplo, quando um sulista que considera sua forma de se expressar superior aos que vivem no norte. No entanto, os sotaques se distinguem também dentro do próprio estado. Geralmente, quem está na capital acredita que sua maneira de falar é melhor que a das pessoas que vivem no interior.  A esse respeito, o filósofo Spinoza escreveu que, se esforçava para não rir das ações humanas, não por deplorá-las ou odiá-las, mas por entendê-las. Diante desse pensamento, cabe-nos uma reflexão quando, muitas vezes, nos referimos à variedade linguística sobre o signo de erro.

Outrossim,  vale ressaltar que é preciso   ver as variações como sinônimos de riqueza para a cultura brasileira. Afinal, devemos entender que não existe uma forma “certa” ou “errada” de se falar, como o professor Marcos Bagno afirma em seu livro, pois  a língua é mutável e vai se adaptando ao longo do tempo de acordo com ações dos falantes. Porém, várias pessoas humilham outras por conta do modo de falar, como o médico plantonista no Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra - SP, Guilherme Capel, que foi afastado depois de publicar uma foto com a legenda “Uma imagem vale mais que mil palavras”. Na foto, Gulherme mostrava uma placa com os dizeres: “Não existe peleumonia e nem raôxis”, após ter destratado um paciente que perguntou qual era o tratamento para a “peleumonia”. Assim, indubitavelmente,  a problemática está inserida na sociedade brasileira.

Destarte, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Dessa forma, é mister que as mídias televisivas, com seu poder de disseminação, prestem um serviço mais útil em relação aos comportamentos linguísticos, por meio  de comerciais e depoimentos de pessoas de todas as regiões do país, em horário nobre, a fim de levar ao público o respeito à variedade da língua -eliminando o etnocentrismo. Ademais, é  fundamental que as instituições de ensino também mostrem a importância das variações linguísticas, mediante as aulas de Língua Portuguesa, com seminários e poemas sobre o tema, com convites para familiares assistir as apresentações, com o intuito de  mostrar essa diversidade como um valor cultural. Com isso, será combatido o preconceito inserido na sociedade.