Preconceito Linguístico

Enviada em 07/10/2018

A Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos os indivíduos o direito a educação e ao bem-estar social. Entretanto, tais direitos são vilipendiados quando a ferramenta básica de comunicação, que é a língua portuguesa, serve como objeto para a perpetuação da intolerância e da segregação a partir do momento em que se coloca uma variante como superior.

Primeiramente, deve-se analisar o caminho contrário rumo a tolerância que o sistema educacional do Brasil vem percorrendo. Malala Yousafzai, referência mundial na luta por educação e por igualdade, afirmou que o contato com a diversidade gera empatia e promove a tolerância. Trazendo tal premissa para a perspectiva brasileira, é possível observar que o país tenta uniformizar o vocabulário da sua população partindo da ideia de que apenas uma língua é a correta, neste vasto território rico em regionalismos, a gramática normativa.

Além disso, é inegável o poder de influenciar comportamentos e opiniões detido pela mídia. Porém, esse poder é usado, pela maioria dos canais televisivos, de forma depreciativa ao satirizar culturas regionais para obter maior audiência. É o caso dos personagens nordestinos, representados por atores cariocas e paulistas, na maioria das vezes, que usam de um sotaque caricato e reforçam o esterótipo à disseminado pelas emissoras que não tiveram qualquer preocupação com relação aos danos que a estereotipização pode acarretar, como o preconceito e a exclusão social.

Dessarte, visando a uma nação que valorize a brasilidade, representada pela pluralidade do país são imprescindíveis mudanças no âmbito escolar e no midiático. Para isso, o MEC deve promover a releitura dos cursos de licenciatura, responsáveis por certificar educadores do ensino fundamental e médio, de forma que esses trabalhem a diversidade com maestria e desenvolvam alunos tolerantes. Consonante tal medida, a população deve se mobilizar, por meio das redes sociais, contra os esteriótipos exibidos e exigir das emissoras fidelidade a culturas encenadas e, dos autores, que seam poliglotas dentro da própria língua. Partindo dessas medidas, será possível chegar à tolerância de Malala e reduzir a segregação que, atualmente, a língua portuguesa gera.