Preconceito Linguístico
Enviada em 26/09/2019
Em 1948, a ONU estabeleceu que um dos principais direitos de um indivíduo é a sua cultura linguística — conhecida como Patrimônio Imaterial — e seria fundamental à dignidade humana. Entretanto, infelizmente, no Brasil substancial parcela da população é incapaz de aceitar a diversidade linguística e se mostra distante de assegurar esse patrimônio cultural para as futuras gerações. Assim, é imprescindível analisar os fatores que estimulam esse assédio linguístico no país.
Convém ressaltar, a princípio que o problema advêm, em muito da educação limitante brasileira. Desse modo, o linguística Marcos Bagno afirma que o sistema de ensino brasileiro sobrepõem a norma culta padrão em detrimento de outras formas de linguagem, assim fomentando os casos de exclusão social. À vista disso, a escola reproduz um modelo de ensino restrito, na medida em que marginaliza as variantes regionais e perpetua a sobreposição da gramática normativa à ideia de linguagem única — como evidenciado pelo linguista. Logo, é incoerente que o Brasil seja reconhecido como um país multicultural, mas ainda mantenha o preconceito linguístico como prática comum e capaz de fragilizar outros falares regionais.
De outra parte, os meios midiáticos influenciam esse panorama no país. A esse respeito, o filósofo Theodor Adorno desenvolveu o conceito “Indústria Cultural”, segundo o qual a mídia veicula conteúdos persuasivos, a fim de controlar o comportamento da sociedade.Com efeito, as ficções engajadas difundem de forma lúdica personagens do norte e do nordeste como indivíduos ignorantes e grotescos, substancialmente por seus dialetos e gírias. Em contra partida, há a supervalorização de outras regiões, evidenciadas como desenvolvidas, desso modo, ocorre que o controle denunciado por Adorno encontra espaço nos veículos informacionais. Todavia, enquanto os falares regionais forem tratados como deboche, a diversidade linguística será a exceção.
Impende, pois, que o preconceito linguístico seja repudiado no país. Logo, é imperativo que o Estado, na figura do Ministério da Educação promova palestras em escolas, por intermédio de professores de língua portuguesa e de história, com fito de valorizar a pluralidade da língua e sua história, assim transformando o ensino restrito da norma padrão. Ademais, cabe às mídias que utilizem de forma correta o seu papel difusor para a sociedade, na medida em que transformem a visão pejorativa de outras formas de linguagem, por meio de enredos e propagandas que estimulem a variedade linguística e o seu valor para a construção do país. Assim, poder-se-á garantir o Patrimônio Imaterial para as presentes e futuras gerações.