Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

O movimento modernista brasileiro trouxe à tona, na década de 90, o debate acerca da variação linguística regional, como meio de construção da identidade nacional. Hoje em dia, no entanto, a diversidade da Língua Portuguesa é encarada de forma intolerante, uma vez que o domínio da norma padrão tem sido utilizado como instrumento de poder e segregação social. O preconceito linguístico, no Brasil, é muito evidente e, por isso, é preciso entender que nenhuma variação da língua tem mais prestígio do que as demais. * Em primeiro lugar, é preciso compreender que a Língua Portuguesa é influenciada por vários aspectos, sendo eles sociais, regionais e culturais. Nessa perspectiva, ela é inteiramente passiva de variações, uma vez que cada indivíduo se constitui de uma maneira e devido a isso, é único. De acordo com o escritor linguista Marcos Bagno em seu livro “Preconceito linguístico: o que é e como se faz”, não existe forma certa ou errada de escrever ou de se expressar. Dessa forma, considerar errado qualquer variante da língua que seja diferente da norma padrão é uma atitude intolerante e preconceituosa. * Além disso, é evidente que o fato de existir uma variante padrão faz com que algumas variações sejam mais prestigiadas do que as demais, gerando um preconceito linguístico. Esse tipo de preconceito acentua as desigualdades sociais, uma vez que a língua está relacionada aos valores socioeconômicos e culturais de cada grupo ou região. Tal como acontece, por exemplo, com os nordestinos, que na maioria das vezes são representados pelas mídias como inferiores devido ao seu modo de falar “errado” e ao fato da sua região não ser tão desenvolvida como as demais. * Fica claro, portanto, que a língua é um fator decisivo na exclusão social. Por isso, faz-se necessário que os professores junto ao Ministério da Educação debatam o tema variação linguística nas escolas, e nas mídias sociais, através da criação da “Semana da variação linguística”, para que gírias específicas de cada região sejam conhecidas, com o intuito de desconstruir o que é certo e errado. Dessa maneira, será possível encarar as diferenças linguísticas como uma construção da identidade nacional, assim como referia os ideais modernistas.