Preconceito Linguístico
Enviada em 27/10/2018
Como já disse Marcos Bagno, não há uma maneira “certa” ou “errada” de se falar, portanto o preconceito que é formado em torno das pessoas que falam “errado” acarreta em exclusão social.
A língua é formada por vários aspectos, dentre eles, culturais, históricos, regionais e sociais. É fato que o preconceito linguístico está, majoritariamente, relacionado à classe social, visto que um dos maiores sensos comuns é relacionar a pessoa que não se expressa conforme os padrões que a norma culta impõe como alguém pobre; o que acaba por ser uma visão conservadora e antiquada, uma vez que a classe social diz pouco sobre como o indivíduo se expressa, pois muitos fatores influenciam cada um individualmente.
Um dos principais e mais claros exemplos de preconceito linguístico observado na sociedade brasileira é quando jornais televisivos sudestinos não permitem que repórteres nortistas e nordestinos façam uso de dialetos e até mesmo sotaques (quando muito acentuados), caracterizando-os assim, como algo errado, algo que não deve ser utilizado quando se é necessário o uso da norma culta.
Por outro lado, a gramática normativa se faz importante para representar a língua portuguesa, pois ela é a base de comunicação para a maioria de seus falantes, sendo assim tendo um enorme valor de representatividade. Porém, deve se ficar claro, que a língua portuguesa é formada, também, por uma riqueza de regionalismos, gírias, sotaques, dos quais a engrandece e a torna repleta de particularidades, estas que devem ser apreciadas e não segregadas.
Portanto, para que a população possa cada vez mais se fazer ciente de o preconceito linguístico é algo depreciativo e prejudicial, é necessário que as escolas trabalhem ativamente nas salas de aula e na organização de palestras, abrindo esta questão à discussão, trazendo a reflexão de seus alunos, para que assim eles possam criar um bom senso crítico e um olhar inclusivo para com a sociedade.