Preconceito Linguístico

Enviada em 28/10/2018

A arte de falar

A Semana de Arte Moderna de 1922 iniciou um movimento que objetivava libertar a arte, haja vista que o Parnasianismo pregava um rigor forma. Assim, os modernistas valorizavam o cotidiano e o popular para mostrar que a arte está em diversas esferas da sociedade, inclusive na língua. Nesse sentido, essa é uma forma de expressão do indivíduo, mas, é muitas vezes usada como ferramenta de preconceito e segregação no Brasil.

Cabe destacar que a linguagem é um reflexo de uma série de fatores, como classe social, região e cultura, sendo valorizado a que está ligada à classe dominante. Visto que o acesso ao ensino da norma padrão é mais comum às camadas abastadas, essa é tida como única e não como uma variante usada em determinado contexto a fim de democratizar a informação, como documentos. Usar a gramática em todos os contextos é deturpar sua finalidade e restringir a multiplicidade da língua.

Ademais, outra prova de que a valorização de um dialeto está atado à cultura dominante é o uso de estrangeirismos, como “delivery”, “email” e “outdoor”, o que mostra que o preconceito está na origem do vocábulo e não no vocábulo. Em virtude disso, diversos cidadãos que não tiveram acesso à educação formal, são de regiões pouco privilegiadas ou simplesmente se expressam de uma maneira em desacordo com a norma padrão são discriminados e ridicularizados. Isso contribui com o sentimento de inferioridade intelectual, restringindo o lugar de fala em debates e consequentemente a legitimidade cultural.

Dessa forma, portanto, é preciso usar a língua como instrumento de integração. Para isso a Câmara dos Deputados deve criar o Dia Nacional da Variação Linguística, para que o tema tenha maior visibilidade e o debate com a sociedade seja mais intenso. O Ministério da Educação pode promover trabalhos especiais nas escolas nesse dia, como leitura de obras regionalistas e palestras sobre a função do idioma. Assim, espera-se que a sociedade seja mais tolerante e melhor falante.