Preconceito Linguístico
Enviada em 02/11/2018
No filme O Auto da Compadecida os personagens nordestinos apresentam uma linguagem regional e social com o intuito de descontruir o preconceito linguístico que é realidade no Brasil. Nesse bojo, o ensino da escola centrado na gramática e a ridicularização por parte da mídia favorecem a problemática.
É relevante abordar, primeiramente, que a escola dando ênfase à Língua Portuguesa como uma unidade, acaba se transformando numa instituição mantedora do preconceito linguístico. Nesse contexto, nota-se que essa questão, sobretudo, é uma forma de controle social, usada pela classe burguesa como meio de segregação. A respeito disso, o sociólogo Pierre Bourdieu, em seu conceito de “Violência Simbólica”, afirma que as escolas reproduzem a ideologia de um grupo social em detrimento dos demais. Por conseguinte, as manifestações linguísticas, no Brasil, são desprezadas, tornando o seu falante, segundo essa visão, um ser marginalizado.
Ademais, muitas vezes a mídia usa a linguagem como ferramenta de ridicularização dos falantes não adeptos à gramática. Como exemplo, programas os quais veiculam a fala nordestina com personagens economicamente instáveis e socialmente não aceitos, contribuindo para a cristalização do preconceito linguístico. Deve-se abordar, ainda, que o filósofo Theodor Adorno aponta que os veículos midiáticos tendem a reproduzir conteúdo desprovido de críticas com o propósito de colher o máximo de capital. Todavia, é contraditório que, no Estado Democrático de Direito, cidadãos sejam julgados pela forma como se expressam.
Fica claro, dessa forma, que o desprezo à variação linguística é uma afronta absurda a direitos fundamentais. Portanto, cabe ao colégio considerar a realidade do corpo discente e realizar práticas que valorizem as vivências e a realidade dos alunos, a fim de que eles se sintam valorizados. Outrossim, a mídia com seu poder de influência deve prestar um serviço mais útil em relação aos comportamentos linguísticos, buscando levar ao público o respeito a todas variantes linguísticas e, com isso, combater as diversas intolerâncias que ferem a identidade da nação brasileira.