Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

Na antiga civilização grego-romana, os indivíduos que não falassem o idioma grego ou latim eram considerados inferiores e chamados pejorativamente de bárbaros. Hodiernamente, esse fato histórico ainda ocorre na sociedade brasileira, a qual discrimina os não falantes da língua normativa, transtorno diretamente ligado não apenas ao preconceito social, como também à fatores que impedem o acesso de muitos cidadãos à aprendizagem. Nesse contexto, fica evidente a necessidade de superação desses desafios para que seja alcançada uma sociedade mais integrada.

Convém pontuar de início, o episódio que ocorreu em 2017 no interior do estado de São Paulo, em que um mecânico ao ir a uma consulta médica, e pronunciar algumas palavras de forma considerada errônea, foi humilhado pelo médico que postou suas falas nas redes sociais, e dessa publicação surgiram comentários que continuavam a gozação. Esse fato passado vai de encontro às ideias do linguista Marcos Bagn que diz não existir o certo ou errado na língua portuguesa, caso a comunicação seja possível, então a linguagem é considerada correta.

Outrossim, na Constituição brasileira de 1988, é assegurado à todos os habitantes o direito à educação, porém, na realidade da maior parte da nação não é garantido, pois muitos colégios do país não possuem professores qualificados. Segundo dados de uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2016, cerca de 14% da população do país não possuem acesso ao ensino escolar. Diante do resultado desse estudo, torna-se indispensável ações para mudar o cenário atual.

Urge, portanto, que o Governo Federal, em parceria com as grandes redes de comunicação como canais televisivos e internet, promovam campanhas com intuito de informar à população sobre as variações da língua e em alguns anos, o preconceito linguístico deixe de ser algo presente no cotidiano. Além disso, o Ministério da Educação, pode oferecer aos professores, em especial do ensino público, desconto para cursos de aperfeiçoamento profissional de sua escolha para melhorar o ensino em sala de aula e acarretar  na queda da defasagem no ensino.