Preconceito Linguístico
Enviada em 01/11/2018
Desde o parnasianismo, Olavo Bilac já exaltava a Língua Portuguesa como a “última flor do Lácio”, uma das heranças do Império Romano. A língua, como um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, é responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto, ela também pode atuar de maneira negativa, sendo uma das ferramentas de segregação social e discriminação, decorrente do preconceito linguístico, que leva determinados indivíduos considerarem sua maneira de falar superior a de outros grupos.
É indubitável que o preconceito linguístico venha primordialmente das pessoas que possuem estudo e o conhecimento da gramática normativa, sobre as pessoas que possuem uma linguagem coloquial, com variações regionais, sociais e culturais. Dessa forma, gerando a segregação social e a discriminação, um exemplo, é o caso do médico Guilherme Capel que postou em sua rede social a foto de uma receita escrita por ele, com a seguinte frase, ‘’não existe peleumonia e nem raôxis’’. Tal acontecimento, deixa evidente como as pessoas colocam juízo de valor sobre alguém que fala diferente.
Além disso, destaca-se a falta da atuação dos colégios entre as causas do problema. Segundo o professor e filósofo Marcos Bagno, “o problema certamente está no modo como se ensina português e naquilo que é ensinado sob o rótulo de língua portuguesa.” Seguindo essa linha de pensamento, é possível analisar que o preconceito linguístico está presente dentro das salas de aulas, onde a norma culta padrão é dada como única correta e aceitável, fazendo com que as crianças desde cedo aprendam a não aceitar as variações linguísticas presentes na sociedade.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de politicas que visem a construção de um mundo melhor. Destarte, a Secretaria de Estado de Educação deve incluir as variações linguísticas no currículo básico do ensino, para que os jovens aprendam dentro das salas de aulas, através de debates entre alunos e professores, as diversas variações linguísticas presentes no país e as respeitem. Desse modo, o Brasil poderia superar o preconceito linguístico.