Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

Jeca Tatu, um personagem de Monteiro Lobato, é um homem que vive na área rural paulista. Ele simboliza a situação do caipira brasileiro que tem seu dialeto classificado como incorreto por ser diferente da língua culta, constituindo o fenômeno: preconceito linguístico. Contudo, tendo a língua a função de estabelecer comunicação, esse julgamento torna-se impróprio. Para melhor compreensão do tema, questões como a desigualdade social e a falha educacional são indispensáveis.

A priori, uma análise sobre a desigualdade social se faz necessária. Segundo Karl Marx, existem duas classes antagônicas: os donos dos meios de produção (dominantes) e os que vendem sua força de trabalho (dominados). Sob esse viés, a língua falada pela classe dominante é erroneamente vista como correta, inferiorizando o dialeto popular. Ademais, sendo o Brasil um país de extensão continental, cada região possui sua variante, sendo algumas como, por exemplo, a nordestina, tida como feia, brega e carente. Nesse contexto, sua função primordial de estabelecer comunicação é deturpada, promovendo desconforto para os componentes do corpo social. Portanto, é notório o caráter nocivo da desigualdade social sobre o tema.

Outro fator a ser averiguado é a falha educacional. Segundo o filósofo Immanuel Kant, ‘‘o ser humano é aquilo que a educação faz dele’’. Nesse sentido, a deficiência na formação educacional dos indivíduos faz com que haja julgamentos incorretos acerca da linguagem. Isto é, a ausência de contato que os alunos tem em relação a outras variantes poder ser decisivo para a tolerância como, por exemplo, os habitantes de São Paulo que falam ‘‘bolacha’’ e os do Rio de Janeiro que dizem ‘‘biscoito’’. Como resultado dessa alienação, ciclos infindáveis de intolerância são formados , tornando o impasse cada vez mais profundo. Portanto, a falha educacional é fator de agravamento para o preconceito linguístico.

À luz do exposto, a função da língua é estabelecer comunicação. Logo, cabe ao Estado realizar campanhas midiáticas junto a empresas privadas, voltadas para toda a sociedade, com o objetivo de desconstruir a visão preconceituosa sobre a língua coloquial, para que todos sintam-se igualmente importantes na composição da sociedade. Além disso, o Ministério da Educação deve enviar verbas para que oficinas sejam feitas por professores e alunos, com as pluralidades linguísticas de vários setores da sociedade como caipiras, nordestinos, entre outros, estimulando assim o prestígio a todas as formas de falar. Dessa maneira, o fim do preconceito linguístico deixará de ser utopia no Brasil.