Preconceito Linguístico
Enviada em 02/11/2018
Durante o Império Romano, o latim utilizado pelas camadas populares era denominado vulgar, devido ao seu desprestígio, no entanto, é esse registro que sobrevive como ancestral dos atuais idiomas latinos. Nesse contexto, o exposto deveria ser suficiente para alardar o caráter ilógico de hierarquizar as variações da língua, mas não é o que ocorre. Assim, o preconceito linguístico é um imbróglio ainda vigente na contemporaneidade e deriva de compreensões equivocadas sobre o código, além de ferir a identidade das vítimas.
É indubitável que a violência do assédio linguístico agride a herança cultural que o alvo possui. Visto que, o código é adquirido pelo ser humano durante a sua socialização e expressa a trajetória e visão de mundo da coletividade em questão. Para ilustrar a importância da língua, durante a colonização da América, realizada pelo europeus, os idiomas nativos foram reprimidos, como forma de afirmar a submissão e apagar as tradições orais dos colonizados. Isso posto, o preconceito linguístico desrespeita a alteridade e é uma forma de menosprezar o falante, coagindo-o a abandonar seu universo de expressão habitual.
Diante do elencado, a problemática é impulsionada pela incompreensão da natureza fluida da língua. Nesse sentido, de forma diferente da gramática, cuja alteração é um ato planejado e racional, como o que deu origem ao Novo Acordo Ortográfico de 2009 - seguido pelos países lusófonos - a língua varia naturalmente. Por exemplo, o Brasil é o sexto maior país do mundo em extensão territorial e cada região possui seu modo de falar próprio, caracterizando a variação regional do idioma. Desse modo, são necessárias ações educativas para corrigir o equívoco, em consonância com o pensamento de Kant, filósofo, que afirma o caráter essencial da educação para formação do indivíduo e da sociedade.
Em conclusão, o preconceito linguístico é problemático por ferir a alteridade dos cidadãos e é motivado por uma compreensão errada da língua. Portando, o Governo Federal deve, por intermédio da ampliação de verbas do Ministério da Educação, incluir nas aulas de língua portuguesa, a partir do sexto ano do ensino fundamental, conceitos sobre respeito à variedade de registros e à diversidade dentro da língua, a fim de a longo prazo desconstruir os conceitos equivocados na mentalidade dos cidadãos e eliminar a problemática, a saber: as aulas devem se utilizar das novas tecnologias para reproduzir vídeos que exponham os diversos registros que existem no Brasil. Dessa forma, será possível não imitar a hierarquização existente no Império Romano.