Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

No parnasianismo, Olavo Bilac exaltava a Língua Portuguesa como a “última flor do Lácio”, uma das heranças do Império Romano. A língua, como um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, é responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto, ela também pode atuar de maneira negativa, sendo uma das ferramentas de segregação social. O preconceito linguístico, no Brasil, é muito evidente, e, por isso, é preciso entender que há diversas variantes na língua, e uma não deve ser mais prestigiada em relação às demais.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, embora todos os brasileiros sejam falantes da língua portuguesa, ela apresenta diversas particularidades no contexto regional, etário, social e histórico. Isso significa que a língua está em constante transformação, e os responsáveis pelas mudanças são os próprios falantes, independente de classe social ou nível de escolaridade. Nesse sentido, não se deve desconsiderar a gramática normativa e suas regras, já que ela serve como base para o sustento do idioma, mas sim admitir que todas as variações são inerentes à língua, pois de acordo com o gramático Evanildo Bechara, “um falante deve ser poliglota em sua própria língua”.

Além disso, é oportuno sublinhar que o fato de existir uma variante padrão faz com que as demais sejam desprestigiadas, gerando o preconceito linguístico. Esse tipo de preconceito – pouco discutido no Brasil – acentua ainda mais a desigualdade social no país, porque a língua está ligada à estrutura e aos valores da sociedade, e os falantes da norma culta são aqueles que apresentam maior nível de escolaridade e poder aquisitivo. Entretanto, é incoerente pensar como as músicas de Wesley Safadão, que utiliza a modalidade coloquial, fazem sucesso e o falar popular é excludente.

Portanto, está evidenciado que a língua é um fator decisivo na exclusão social. Por isso, o preconceito linguístico precisa ser admitido e combatido. Inicialmente nas escolas, que devem fazer uma abordagem mais aprofundada sobre esse tema, além de refletir, nas aulas de Português, sobre as variantes existentes na língua, para que uma não seja mais prestigiada que a outra. E, a mídia, por sua vez, deve parar de estereotipar as personagens de acordo com a sua maneira de falar, e investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico, a fim de minimizar o rigor formal da Língua, como feito pelos Parnasianos, e diminuir a segregação na sociedade.