Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

Durante a vigência da Segunda Fase do Modernismo, a chamada ficção de 30, por meio de obras críticas, problematizou aspectos da sociedade brasileira. Tomando este princípio modernista, como ponto de partida para fundamentar a discussão acerca do preconceito linguístico, igualmente vê-se a necessidade, hoje, de tecer uma análise crítica. Nesse sentido, cabe problematizar a importância de outras variantes do reconhecimento de outras variantes da língua portuguesa e esclarecer por que de existir o preconceito linguístico.

Em abordagem inicial, é preciso dizer que reconhecer as variantes da língua, no Brasil, é uma forma de minimizar os preconceitos. Desse ângulo, o olhar crítico do segundo tempo modernista atesta a existência de uma realidade a ser problematizada, na medida em que a população não conhece sobre a história e cultura do próprio país, assim julgando, indevidamente, as pessoas que não seguem a norma-culta. Aliás não se pode negar que no Brasil, por ser extenso, há um multiculturalismo em diversas regiões do território. Dessa forma, nota-se que o país é preconceituoso, já que não se conhece sobre as outras variantes, mesmo sendo pluriculturalista.

Outrossim, a herança de um passado eurocêntrico contribuiu para essa intolerância sobre as particularidades regionais. Nesse contexto, consolida-se a percepção de Darcy Ribeiro. Conforme o pensador, o Brasil tem uma perversidade intrínseca em sua herança. À luz dessa ideia, torna-se notório que a herança histórica eurocêntrica foi propulsora do preconceito sobre as variantes da língua portuguesa, uma vez que, como dito no pensamento do escritor brasileiro, a classe dominante, no caso os colonizadores, propagaram essas desigualdades e desavenças, usando a força, em território nacional.

Sendo assim, urgem medidas que visem reverter esse cenário. Para siso, o Ministério da Educação precisa criar projetos multidisciplinares para valorização do regionalismo nas escolas, a partir de aulas, palestras e trabalhos sobre o tema, com o intuito dos alunos aprenderem sobre. De modo complementar, ao mesmo ministério compete capacitar os professores a oferecer um ensino da Língua Portuguesa mais reflexivo, por meio de cursos de pós-graduação, buscando disseminar as variantes da fala. Feitas essas ações, espera-se solucionar o preconceito linguístico no Brasil, de modo a afastar tal questão da lista de críticas tecidas pela ficção de 30.