Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o preconceito linguístico, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela negação da pluralidade linguística, seja pela desigualdade social. Com isso, é indispensável o debate e a busca por soluções para esse problema.

Em uma primeira análise, observa-se a negação da diversidade linguística como impulsionador do problema. Durante a colonização, um alto número de diferentes povos e culturas participaram desse processo e, consequentemente, emergiram-se várias alterações e mudanças no português lusitano. Porém, esses fatores não são reconhecidos. Dessa forma, surgiu uma tentativa incondizente com a realidade de purificar uma variante em detrimento de outras. Isso é claramente um ato ignorante, pois, além negar a própria história, os divíduos não identificam que a língua é passível de mudanças e o preconceito vai se perpetuando.

Por outro viés, percebe-se que o problema vai muito além disso. Outro grupo que sofre com essa intolerância são os que não dominam a norma culta. É bem verdade que os praticantes dessa regra padrão, estão, em sua maioria, em escalões mais altos da sociedades. Diante disso, é possível afirmar que esses indivíduos tiveram uma educação melhor que a do cidadão comum. Portanto, esses fatos acabam confirmando que a língua e a forma que ela é falada e escrita, é indicador de segregação social e está ligada à boas oportunidades e condições financeiras.

Sendo assim, é  necessário que o Ministério da Educação promova oficinas de linguagens nas escolas, debatendo sobre as diferentes diversidades da língua que existem no território brasileiro e expor os detalhes da formação do idioma vigente, com o intuito de formar cidadãos menos intolerantes e bem esclarecidos sobre a língua portuguesa. Ademais, é imprescindível que o Governo Federal reproduza campanhas sobre a questão da intolerância linguística em horário nobre, para alertar a sociedade sobre o perigo da sobreposição de uma variante sobre a outra e, assim, atenuar esse problema social.