Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

“No meio do caminho tinha uma pedra”. O poema, de Carlos Drummond de Andrade, parece mostrar que algo interfere na trajetória do eu lírico. Dessa forma, posicionando a obra na atual conjuntura brasileira, pode-se afirmar que o preconceito linguístico poderia muito bem ser interpretado como um obstáculo que impede a evolução nacional. Dessarte, implica aludir a problemática como enraizada em um processo histórico, assim como também na negligência estatal.

Em primeiro plano, é mister salientar que esse embate social não teve início hodiernamente. Sob essa vertente, no Império Romano aqueles que não falavam a língua predominante eram considerados, pejorativamente, povos Bárbaros. De maneira análoga,  no contexto nupérrimo é indubitável a presença da discriminação aos que são diferentes, pois sulistas, nordestinos, alfabetizados e não alfabetizados são alguns dos grupos que sofrem com esse preconceito histórico, lamentavelmente, entranhado na concepção humana.

Outro ponto relevante é a ineficácia da entidade estatal em cumprir sua função. Nessa lógica, o artigo 5 da Constituição Federal Brasileira de 1988 garante que todos o brasileiros são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto,  esse artigo não está sendo cumprido, pois o que está sendo ensinado nas escolas é apenas a gramática normativa, não há uma preocupação com as variações linguísticas presentes num território tão vasto, como o brasileiro.  Ademais, tendo em vista que esse tipo de preconceito nasce da ideia de que há uma única língua portuguesa correta, é papel do Estado garantir que os centros educativos trabalhem a divergência indo contra a exclusão social.

Em suma, os impasses supracitados urgem ser elucidados. Assim sendo, consoante o alemão  Karl Marx: “Um problema só surge quando reunidas condições para solucioná-lo”. Para isso, o Ministério da Educação em pareceria com Ministério da Cultura e canais de “YouTube”, financiados pelo Ministério da Fazenda, devem promover um programa que por meio de “lives”, palestras em teatros municipais e em salas de aula, professores e “youtubers” devem falar do surgimento do preconceito, todo o contexto histórico, além de pregar a tolerância, deixando claro a variedade gramatical, de povos e as culturas existentes no Brasil, todo esse projeto deverá ser direcionado para a população, principalmente para as crianças, com o fito de conscientizar a todos, e, por conseguinte, o Estado cumprirá com seu papel constitucional garantindo que as instituições educacionais promovam o respeito aos diferentes. Somente assim, retirando as “pedras” do caminho que se alcançará um país com mais alteridade.