Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

A inclusão a partir da língua

A língua falada é uma das heranças histórico-culturais mais ricas da sociedade brasileira. As suas variedades exprimem as diferenças socioculturais, regionais, etárias etc presentes no Brasil e a miscigenação sofrida pelas diversas culturas que formaram o país. No entanto, um pensar de que há uma norma padrão para a fala, assim como há para a escrita criou profundas raízes na sociedade. Desse modo, os falantes das variedades linguísticas menos prestigiadas pelo corpo social sofrem preconceito linguístico. A partir dessa problemática cabe analisar-se as causas e efeitos do preconceito linguístico na sociedade brasileira e como amenizá-los.

De acordo com o professor de sociologia Fábio Medeiros o preconceito não nasce com o ser humano, ele é desenvolvido a partir dos hábitos culturais. Partindo desta perspectiva pode-se entender que as mídias e a forma como as crianças são ensinadas nas escolas contribuem para que haja a formação e solidificação do preconceito linguístico. Um exemplo de como a mídia contribui para o pensamento de que há uma forma padrão para a fala é a falta de variedade linguística apresentada para os telespectadores nos horários nobres e em programas de prestígio social como o Jornal Nacional. Deste modo, a população torna-se ignorante por não ter acesso as variedades linguísticas, nascendo então o preconceito, pois como disse o filósofo Voltaire o preconceito é uma opinião sem conhecimento.

Ademais, a forma de ensino da língua portuguesa nas escolas também contribui para o surgimento do preconceito linguístico. Há uma confusão por parte dos indivíduos entre a língua falada e a gramática normativa aprendida nas instituições de ensino. Logo, passa-se a acreditar que existem erros na forma de falar de alguns indivíduos. Por conseguinte, a parcela da população que fala diferente da variedade linguística mais prestigiada é taxada como errada e acaba por sofrer preconceito, o qual contribui para a exclusão social e até para a ridicularização de muitos. Assim sendo, há uma necessidade de que tanto nas escolas como nas mídias sejam apresentadas as diversas formas da língua falada com intuito de minimizar o preconceito.

Para que essa mitigação seja possível é imprescindível que o Ministério da Educação e Cultura viabilize a inserção de projetos que tragam a tona as variedades linguísticas brasileiras nas escolas públicas e privadas. Como exemplo a leitura de cordéis durante as aulas de literatura. Também, as mídias podem apresentar mais programas que valorizem e apresentem para a população a língua falada, por exemplo novelas que se passem no Nordeste ou Norte do país ou filmes como O Tempo e o Vento. Poder-se-á, assim, visar a uma sociedade, de fato, inclusiva no Brasil.