Preconceito Linguístico
Enviada em 02/11/2018
“O preconceito tem mais raízes do que os princípios”. De acordo com Nicolau Maquiavel, a intolerância é, muitas vezes, mais considerável que a própria ética. Destarte, é evidente que o combate ao preconceito linguístico, quando comparado a sua disseminação, mostra-se aproximar o Brasil de viver o pensamento do filósofo italiano. Por esse motivo, urge a necessidade de reconhecer e problematizar a ausência de valores empáticos transmitidos aos estudantes da rede de ensino público do país. Do mesmo modo, a escassez da coercitividade no que tange a punições mais rígidas ao discurso discriminatório, impera como agente regressora à solução desse impasse.
Em primeiro plano, ressalta-se, conforme o portal Educação Pública do Rio de Janeiro, que a educação nacional deve evitar práticas caracterizadas pela segregação. Haja vista isso, o papel escolar deve ser voltado à inclusão e à consideração aos estudantes. Logo, além da inserção de disciplinas teóricas, a escola deve trabalhar em sua grade curricular as diferenças na oralidade do corpo discente e fora dele, para aprimorar técnicas que ensinam e revitalizam o caráter compreensivo das divergências linguísticas, não perpetuante na atual conjuntura brasileira.
Além disso, a efetividade jurídica, em termos de sanções, revela-se complementar à reforma escolar em prol do combate à intolerância da oralidade alheia. Segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o preconceito linguístico deveria ser criminalizado uma vez que retira o direito de fala de milhares de pessoas. Por meio dessa perspectiva, interpreta-se que o respaldo a essa causa ser considerada um crime pela maioria em vez de uma piada, não apenas assegura o direito da expressividade desses indivíduos, conforme consta na Constituição de 88, que garante o direito à manifestação de pensamento e liberdade de expressão, todavia também, pune àqueles que discriminativamente consideram-se detentores da norma padrão da língua portuguesa.
Face às considerações exploradas, compete ao Ministério da Educação em parceira com a direção das escolas públicas, a adoção da matéria de Projetos Integradores à grade curricular do Ensino Fundamental ao Médio, consistindo em filmes, debates e rodas culturais acessíveis à população. Dessa maneira, as noções básicas de diversidade cultural e respeito da língua se tornarão visíveis aos cidadãos brasileiros. Outrossim, do Poder Legislativo, espera-se o enrijecimento de leis, sob pena de cárcere e multas, aos que ridicularizam e inseminam discursos de ódio contra a fala alheia, além da divulgação midiática de sites que consistem em denúncias onlines com a captura da tela ou gravação encaminhada de qualquer ato preconceituoso, para que seja possível diminuir a reincidência. Somente assim será praticável a construção de um país diferente da premissa maquiaveliana.