Preconceito Linguístico
Enviada em 18/10/2019
O Brasil, por possuir um extenso território, dispõe de uma grande variedade linguística. Esta, que deveria ser motivo de orgulho, devido à compreensão errônea sobre o papel da língua na sociedade brasileira, atua na manutenção da desigualdade e segregação socioespacial.
Primeiramente, ressalta-se que a raiz do preconceito linguístico, nasce, não só da distinção entre linguagem e gramática, que impõe a norma culta como o único padrão aceitável, mas também de variações regionais, nas quais, as regiões mais ricas, discriminam o dialeto das mais pobres. Isso, deve-se ao ensino deficitário sobre a função da linguagem, que, ao invés de unir, segrega.
Prova dessa segregação, é a aquisição da norma culta, normalmente, “inacessível” às classes com menor poder econômico, visto que essas contam com uma educação deficiente. Desta forma, ao tentarem ingressar no mercado de trabalho, por não deterem o domínio padrão da língua, não conseguem bons empregos, o mesmo acontece com falantes que utilizam os dialetos de regiões desfavorecidas.
Essa população marginalizada, é privada de uma possível ascensão econômica, ficando reclusa à periferia, desprovida de infraestrutura, o que ocasiona um ciclo da pobreza, já que seus descendentes irão passar pelo mesmo entrave.
Assim, uma forma viável de combate ao preconceito linguístico, seria por meio de uma readequação do ensino da língua nas escolas públicas e privadas, a fim de destituir a imposição de um único padrão e estimular a inclusão das diferentes formas. Em consequência disso, os entraves impostos à população economicamente fragilizada, seriam gradativamente diluídos. Tal medida, deveria ser aplicada pelo MEC, que passaria a priorizar, na educação do idioma, a distribuição de materiais contundentes com a temática.