Preconceito Linguístico
Enviada em 02/11/2018
A linguagem, escrita ou falada, é um dos legados mais importantes da cultura de um povo. No Brasil contemporâneo, ocorre um processo de homogeneização cultural, que destrói os modos de falar e escrever locais. Fatores como o preconceito com as variantes linguísticas que estão fora do padrão da norma culta e a falta de punição aos que cometem tais assédios, agravam ainda mais esse quadro.
Desde 1922, com a Semana da Arte Moderna, a literatura brasileira busca a criação e valorização de uma língua nacional. Porém, de acordo com o entendimento do professor brasileiro Marcos Bagno, as variantes linguísticas locais e o modo de falar camponês acabam segregando tais falantes, que sofrem preconceito por parte da sociedade por não utilizarem o padrão culto da língua. Com isso, nota-se a necessidade de se manter viva a cultura regional e acesa a chama da Semana da Arte Moderna na busca pela valorização das diversas variantes locais da língua.
A formação etimológica da palavra preconceito denota uma ideia anterior à constatação de um fato. Os estudos do cientista político niteroiense Roberto DaMatta explicitam que as ruas são um território hostil onde a lei só é mantida sob vigília constante da autoridade. Contudo, o assédio linguístico não é uma conduta capitulada como crime pela legislação penal vigente. Dessa forma, fica latente a importância da ação do Poder Legislativo em criar normas legais de combate ao preconceito linguístico, com punições que demonstrem a importância de se valorizar as diversas micro culturas locais que compõem a identidade nacional.
Logo, fica evidenciado o papel do Estado em promover a valorização das diversas formas de expressar as culturas locais, independente da eventual discordância com a norma culta, que deve ser ministrada nas escolas, porém, sem a extinção dos modos locais de fala e escrita. Alinhado a tal medida, o Poder Legislativo deve promulgar leis que criminalizem condutas preconceituosas com os falantes das variantes locais do idioma nacional. Para solucionar tal problemática, o poder público deve, através de parcerias Público-Privadas(PPPs), comutar as futuras penas dos que cometerem assédio linguístico em comparecimento obrigatório à aulas sobre a importância da valorização das diversas modalidades de cultura nacional. Com tal ação, as empresas parceiras ficariam responsáveis pelo fornecimento do material de estudo, local e professores, o governo premiaria tais empresas com incentivos fiscais e os punidos teriam noção da importância que as diversas formas de fala e escrita tiveram para a formação da identidade nacional. Pois, como afirmou Nelson Mandela: " a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo".