Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

Do índio ao europeu, do século XV ao XXI: as faces da língua portuguesa

O território nacional, após abril de 1500, conheceu povos das mais variadas etnias, além dos indígenas, que já habitava o local. Ao longo dos séculos as regiões brasileira tomaram a forma da população que a colonizou e o idioma natural desses povos foi misturado ao tupi, falado pelos índios. Desta forma a língua portuguesa foi se adaptando e tornou-se única, distinta do português de Portugal. Portanto, devido a diversidade cultural e o decorrer dos séculos, o Brasil apresenta várias faces do mesma linguagem, não sendo cabível qualquer tipo de discriminação.

O Rio de Janeiro, um dos maiores palcos da colonização híbrida, é conhecida pelo chiado na fala. Essa característica foi trazida pelos africanos que se instalaram nos portos cariocas e disseminou o predomínio do fonema S palatinizado. O sotaque nordestino, foi influenciado pela presença de holandeses, como Maurício de Nassau. Assim como na região sul, que recebeu características dos idiomas italiano e alemão, provenientes do leste europeu. Nota-se, portanto que, não existe sotaque melhor ou mais correto que o outro, essa é uma visão preconceituosa que diminui a singularidade da cultura nacional.

Outro fator que contraria o preconceito é a fluidez da língua. A gramática não representa completamente o português brasileiro, pois este se modifica de geração em geração. Expressões que eram usadas há vinte anos não são compreendidas pelos mais jovens, pois o vocabulário é próprio de cada época. Ademais, a norma culta está disponível para uma seleta parte da população. Segundo o linguista Marcos Bagno, não existe certo ou errado e que o preconceito linguístico é gerado pela ideia de que a gramática é a única forma correta de expressão e, esse ponto de vista colabora com a prática de exclusão social.

Por conseguinte, a fala correta é aquela proporcionada pela região, cultura e classe social de cada indivíduo. Sendo importante, por parte da escolas, mostrar as variações linguísticas e os processos históricos que as causaram. A mídia, ao invés de ironizar os diferentes aspectos da linguagem, deve abordar tal tema de forma educativa, mostrando a importância de conhecer as variações. Além disso, deve-se democratizar o idioma para que esse preconceito seja extinto e a sociedade adquira entendimento. Assim, o maior fruto a ser colhido é o respeito, ao invés da discriminação.